Pesquisa do IBGE revela que 28,3% dos estudantes entre 13 e 17 anos em Minas Gerais já sofreram bullying na escola, um aumento em relação aos 22,1% registrados em 2019. No contexto nacional, o índice é ainda mais alarmante, atingindo 39,8%, com destaque para as meninas, cuja incidência chega a 43,3%. Os motivos mais comuns apontados pelos próprios estudantes envolvem questões relacionadas à aparência, como rosto e cabelo, sendo responsáveis por 30,2% dos casos, além de práticas de bullying que podem envolver violência física, verbal ou psicológica, e que têm potencial para causar sérias consequências físicas e emocionais.
Em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, uma família denuncia episódios recorrentes de bullying e agressões envolvendo um adolescente de 15 anos, estudante do primeiro ano do ensino médio em uma escola particular. Segundo Cristiane Viana, mãe do jovem, os problemas tiveram início há vários meses e se intensificaram ao ponto de obrigar o filho a se afastar das aulas presenciais. O adolescente, que atualmente faz fisioterapia e foi diagnosticado com síndrome do pânico e ansiedade, foi vítima de agressões físicas por parte de colegas de escola, o que resultou em fraturas e escoriações.
A primeira denúncia ocorreu em 25 de maio, quando uma suposta brincadeira entre os estudantes evoluiu para violência física. Cristiane relata que o filho foi inicialmente chutado por um colega, mas posteriormente cercado por quatro estudantes que o agrediram com socos, chutes e humilhações públicas, incluindo a prática de enforcamento e exposição de partes íntimas. Como consequência, o adolescente sofreu uma fratura no joelho e escoriações pelo corpo, ficando afastado por 45 dias. Após o retorno às aulas em agosto, novas agressões ocorreram, incluindo uma situação durante uma partida de futebol, na qual seu filho foi chutado duas vezes, agravando sua lesão anterior e levando-o a ficar novamente afastado das atividades escolares.
A recuperação física, acompanhada por fisioterapeuta especializada, tem sido lenta e desafiadora, impactando inclusive sua rotina esportiva, uma de suas principais atividades desde a infância. A mãe destaca que o jovem pratica futebol desde os seis anos, tendo passado por clubes como Atlético, União e Coimbra, e que recebeu mensagens de incentivo de integrantes do Coimbra Esporte Clube durante sua recuperação.
Além das sequelas físicas, o impacto emocional é profundo. Cristiane conta que, ao tentar retomar as aulas presenciais, o filho apresentou crises de ansiedade e síndrome do pânico, além de alterações no sono, perda de peso e reações físicas ao pensar em voltar à escola. Atualmente, o adolescente estuda de forma online, em casa, e sua mãe relata que algumas funcionárias da escola sugeriram a transferência dele para outra instituição, uma proposta que ela considera injusta, pois acredita que o problema está relacionado ao comportamento dos colegas e à falta de intervenção adequada da escola.
Dados do IBGE mostram que o aumento do bullying na escola mineira reflete uma tendência nacional preocupante, com quase quatro em cada dez estudantes já tendo passado por essa experiência. Os conflitos muitas vezes evoluem para agressões físicas, como evidenciado pelo crescimento de 6,5% para 9,6% na parcela de estudantes que sofreram múltiplas agressões. Especialistas reforçam a importância de ações integradas entre escola, responsáveis e órgãos de fiscalização para combater o problema, destacando que a omissão ou resistência de instituições privadas em divulgar episódios de bullying prejudica a segurança dos estudantes.
Em nota, o SESI-MG afirmou manter diálogo constante com as famílias e adotar medidas para garantir um ambiente escolar seguro e acolhedor. Sobre os episódios relatados, a instituição esclareceu que as ocorrências ocorreram fora do ambiente escolar, embora envolvendo estudantes da unidade, e que foram tomadas providências disciplinares e pedagógicas, além de oferecer suporte psicológico ao estudante, incluindo atendimento na enfermaria e acompanhamento durante o afastamento. A escola também destacou que disponibilizou os conteúdos escolares de forma remota durante o período de recuperação do aluno e reforçou seu compromisso com uma educação baseada no respeito, na ética e na segurança de todos os estudantes.








