O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, assumiu neste sábado (12) a relatoria de uma investigação que apura possíveis ligações entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao extinto Banco Master. Com a mudança, Fachin determinou a remessa dos processos relacionados ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e ao Banco Master à Presidência da Corte, suspendendo temporariamente o andamento desses casos até uma nova deliberação.
A decisão de Fachin ocorreu após pedidos de acesso integral ao material investigativo feitos pelos ministros Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes. Como alternativa, esses magistrados solicitaram que o próprio STF requisitasse à Polícia Federal o fornecimento completo das cópias do conteúdo apreendido. Além disso, Fachin determinou que a Polícia Federal informe, em até 24 horas, o estado de custódia e de conservação dos dados extraídos do celular de Vorcaro, que foi apreendido durante uma operação da Polícia Federal, mas ainda não há decisão sobre o compartilhamento dessas informações com os ministros.
A investigação está relacionada a uma sessão do plenário do STF marcada para a próxima terça-feira (15), na qual os ministros irão analisar se Moraes deve ou não ser alvo de apuração formal devido às suas supostas ligações com Vorcaro. Com Fachin na relatoria, a expectativa é que a abertura da sessão seja conduzida pelo presidente do STF, e não mais pelo ministro André Mendonça, que anteriormente assumira a relatoria dos processos.
Segundo informações da Polícia Federal, há indícios de uma relação próxima entre Moraes e Vorcaro, incluindo orientações do ministro ao banqueiro e participação em eventos patrocinados pelo Banco Master. Documentos obtidos pela PF indicam que, em abril de 2024, Vorcaro comentou a um interlocutor sobre a preparação de um “evento superexclusivo com Alexandre de Moraes em Londres”. Ainda em novembro de 2025, Vorcaro enviou uma mensagem à filha afirmando estar “com Alexandre Moraes”. A Polícia Federal aponta que, entre 2024 e 2025, Moraes e Vorcaro tiveram pelo menos seis encontros presenciais ou virtuais.
A relação entre ambos também inclui mensagens trocadas pouco antes da prisão de Vorcaro, em 17 de novembro de 2025. Nesse dia, às 20h48, o ex-banqueiro enviou uma mensagem ao ministro afirmando que “estava indo assinar com os investidores de fora e estava online”. Horas depois, Vorcaro foi preso preventivamente no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, quando tentava embarcar para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
A sessão do dia 15 de setembro será a primeira oportunidade em que os ministros do STF discutirão coletivamente a controvérsia que levou à crise atual na Corte. Os principais pontos em debate envolvem a legalidade da decisão do ministro André Mendonça de aprofundar as investigações no celular de Vorcaro, a validade do material obtido pela Polícia Federal e o pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para anular o procedimento investigativo. A expectativa é que, com Fachin como relator, a análise seja conduzida de forma mais aprofundada e com maior peso na decisão final sobre o andamento do caso.









