Uma pesquisa conduzida por pesquisadores da Universidade Livre de Bruxelas, na Bélgica, revela que, devido à crise climática em curso, bebês europeus nascidos em 2025 poderão passar quase o dobro do tempo expostos a condições climáticas extremas propícias a incêndios em comparação com seus bisavós, nascidos em 1950. A análise aponta que aproximadamente 86% desse aumento na exposição deve-se às mudanças no clima, e não a melhorias na expectativa de vida ou outros fatores demográficos. Os resultados reforçam a urgência de ações globais para mitigar os impactos do aquecimento global, especialmente na juventude, que, apesar de contribuir pouco para as mudanças climáticas, enfrentará suas consequências por mais tempo.
O estudo destaca que uma criança nascida na Europa em 2025 viverá, ao longo de sua vida, mais de três anos adicionais em condições favoráveis a queimadas extremas, em relação à geração anterior. Essa projeção é particularmente preocupante na região do Mediterrâneo, que já sofre com incêndios florestais de grande escala. No ano passado, a Europa registrou uma área de mais de 1 milhão de hectares queimada, sendo Espanha e Portugal os países mais afetados. Em 2026, incêndios na França, Espanha e Bélgica continuaram a causar impactos devastadores, impulsionados por ondas de calor recorrentes desde o início do verão.
A região do Mediterrâneo, por sua vulnerabilidade histórica aos incêndios florestais, deve enfrentar uma situação ainda mais grave sob o cenário de aquecimento global de 2,6 °C até 2100, uma previsão compatível com as atuais políticas climáticas. Segundo o estudo, indivíduos nascidos ali em 2025 poderão passar até 2,5 vezes mais tempo sob condições climáticas extremas favoráveis a incêndios do que aqueles nascidos em 1950, o que equivale a aproximadamente cinco anos adicionais de exposição ao longo da vida. Em Portugal, por exemplo, o número de dias anuais com condições extremas propícias a incêndios deve mais que duplicar, passando de 14 dias entre 1950 e 1970 para cerca de 32 dias até o final do século. Crianças nascidas em Portugal em 2025 deverão passar aproximadamente 6,5 anos de suas vidas em condições meteorológicas de queimadas extremas, e cada grau adicional de aquecimento global até 2100 aumentará esse período em 272 dias.
Para reverter ou amenizar esses impactos, os especialistas ressaltam que limitar o aumento da temperatura global a 1,5°C, conforme previsto no Acordo de Paris, é uma medida essencial. Uma estratégia fundamental seria reduzir rapidamente o uso de combustíveis fósseis, o que, segundo o estudo, poderia diminuir em 1,3 anos o tempo de exposição às queimadas em toda a Europa, chegando a uma redução de pelo menos dois anos nas regiões mais afetadas do sul do continente. O professor Wim Thiery, um dos autores do estudo, destaca que essa possibilidade ainda é viável, uma vez que os custos de energia solar e eólica vêm caindo, tornando cortes no uso de combustíveis fósseis uma alternativa economicamente factível.
Segundo Thiery, as ações atuais podem ainda evitar que o futuro seja marcado por riscos mais severos de incêndios florestais, protegendo especialmente as gerações mais jovens. A líder do estudo, Rosa Pietroiusti, reforça que, embora os jovens tenham contribuído pouco para as mudanças climáticas, eles serão os principais afetados por suas consequências, o que reforça a necessidade de movimentos de justiça climática e de iniciativas legais que pressionem governos e empresas a adotarem medidas mais ambiciosas de redução de emissões.








