O cantor Rick Sollo, de 59 anos, integrante da dupla sertaneja Rick e Renner, morreu na queda de um helicóptero na região de Santa Bárbara, interior de Urubici, em Santa Catarina. Além dele, mais quatro pessoas perderam a vida no acidente, cuja confirmação foi feita nesta terça-feira, 22 de setembro, pelo Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CBMSC), que localizou os destroços da aeronave. O helicóptero estava desaparecido desde a tarde do dia anterior, quando as buscas foram iniciadas, e até o momento, ainda não há uma conclusão definitiva sobre as causas do acidente.
As condições climáticas na hora do ocorrido contribuíram para o desafio na localização do avião. Segundo informações, a região apresentava chuva, granizo e ventos fortes no momento do voo. O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) está conduzindo as investigações, enquanto a Força Aérea Brasileira (FAB) destacou que a prioridade inicial é a coleta e confirmação de dados para avaliar os danos à aeronave.
Especialistas apontam que o clima severo pode ter influenciado na trajetória do helicóptero. O piloto comercial Eduardo Pellizzaro, que é especialista em segurança operacional pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), explicou que aeronaves em voo em condições adversas emitem sinais via transponder, um aparelho que transmite informações de identificação, altitude, velocidade e direção. Esses sinais são captados por radares terrestres, como o localizado próximo ao Morro da Igreja, uma área relativamente próxima ao local do acidente.
No entanto, Pellizzaro sugere que o voo do helicóptero pode ter ocorrido em meio aos vales da região, onde a visibilidade era bastante reduzida devido às condições climáticas extremas. Ele explica que, para evitar as nuvens espessas, a aeronave possivelmente teria descido mais próximo ao solo, o que pode ter dificultado a recepção do sinal pelo radar do Morro da Igreja. Essa hipótese reforça a possibilidade de que fatores meteorológicos tenham contribuído para o acidente.
O especialista também destacou que uma frente fria intensa, deslocando-se entre a Serra Catarinense e o litoral, possivelmente colidiu frontalmente com a aeronave. Imagens do FlightRadar mostram que diversas aeronaves fizeram desvios para evitar a formação de mau tempo na região, indicando a severidade das condições meteorológicas.
Quanto à comunicação durante o voo, Pellizzaro esclarece que, em situações de emergência, os pilotos podem comunicar verbalmente o incidente às autoridades de controle de tráfego aéreo. Contudo, até o momento, não há registros de qualquer comunicação oficial do piloto ou da aeronave. Além disso, o helicóptero possuía um transmissor de localização de emergência (ELT), equipamento que deveria ser ativado automaticamente após impactos ou manualmente pelos pilotos, caso ainda estivessem conscientes. No entanto, esse dispositivo não foi acionado, o que pode ter dificultado as operações de busca e localização.
A ausência do sinal de emergência também impede uma triangulação mais precisa da localização do acidente, dificultando o trabalho de resgate. Segundo Pellizzaro, a única informação disponível até o momento foram relatos de moradores e a localização de celulares na área, o que reforça a dificuldade de determinar o ponto exato do impacto devido à falta de sinais eletrônicos emitidos pela aeronave após o acidente.









