A Polícia Metropolitana de Tóquio, no Japão, planeja testar uma plataforma de inteligência artificial capaz de criar reconstruções digitais de acidentes de trânsito. O sistema deverá reunir imagens de câmeras de segurança e modelos tridimensionais dos pontos onde as ocorrências aconteceram, permitindo aos investigadores examinar as colisões por diferentes perspectivas e realizar medições sem depender exclusivamente de uma reconstituição presencial.
Segundo o jornal The Japan Times, a etapa experimental está programada para começar em junho de 2027. A previsão da corporação é que a tecnologia seja utilizada de forma ampla a partir de janeiro de 2028. Os recursos necessários para desenvolver e implementar o projeto já foram incluídos no pedido de orçamento da polícia para o próximo ano fiscal.
A proposta é tornar mais rápida e menos dispendiosa a apuração de acidentes, sobretudo daqueles considerados graves. A expectativa também é reduzir os efeitos das interdições temporárias de ruas e avenidas, que atualmente podem ser necessárias durante a reprodução das circunstâncias de uma colisão.
Ferramenta deverá reduzir a necessidade de reconstituições nas ruas
Em investigações de acidentes fatais e de atropelamentos seguidos de fuga, a polícia pode precisar reproduzir no local a configuração registrada no momento da ocorrência. Para isso, os veículos são colocados em posições semelhantes às que ocupavam durante o acidente, enquanto os agentes fazem medições e reúnem informações para preparar diagramas e relatórios.
Esse procedimento ajuda a esclarecer como a colisão ocorreu, mas exige uma operação que pode afetar a circulação por duas ou três horas. A mobilização também pode superar 20 pessoas, incluindo profissionais encarregados de controlar o tráfego nas proximidades e garantir a segurança durante os trabalhos.
O projeto pretende aproveitar uma tecnologia de mapeamento móvel que já está em uso pela Polícia Metropolitana de Tóquio. A ferramenta é capaz de registrar os ambientes e gerar versões digitais dos locais, levando em consideração dimensões como largura, altura e profundidade. Com isso, o cenário do acidente pode ser analisado posteriormente em um ambiente virtual.
Essas representações em três dimensões serão cruzadas com imagens obtidas por câmeras de segurança instaladas perto dos pontos das ocorrências. A combinação dos registros deverá permitir que os investigadores consultem, em uma mesma tela, dados sobre a velocidade dos veículos, a distância entre eles e a posição de cada componente envolvido na situação.
Outra possibilidade prevista é a reprodução da colisão a partir de diferentes pontos de observação. O usuário poderá alternar entre uma visão aérea e perspectivas semelhantes às de motoristas ou pedestres. A mudança de ângulos pode contribuir para a análise da sequência dos eventos e para a produção dos documentos usados no andamento das investigações.
Precisão dos resultados será um dos principais desafios
Embora a tecnologia tenha potencial para diminuir o tempo dedicado às apurações, ainda não foram divulgadas informações técnicas detalhadas sobre o sistema. Também não está claro qual será exatamente a função da inteligência artificial na reconstrução digital dos acidentes.
A polícia terá de garantir que as imagens, as medições e as simulações correspondam aos dados efetivamente registrados. Em ocorrências nas quais a posição, a velocidade e o deslocamento dos veículos são decisivos, qualquer distorção pode comprometer a compreensão da dinâmica do acidente.
O cuidado é ainda mais importante quando entram em cena sistemas de inteligência artificial generativa, que conseguem produzir textos, imagens e vídeos. Essas ferramentas podem apresentar conteúdos inventados como se fossem verdadeiros, fenômeno conhecido como “alucinação”. Por essa razão, os resultados do novo sistema precisarão ser conferidos pelos investigadores e utilizados como representações baseadas em evidências reais, não como substitutos automáticos da verificação no local.







