Um raro esqueleto de Nanotyrannus, dinossauro carnívoro considerado um parente distante do Tyrannosaurus rex, foi vendido por US$ 47,3 milhões, o equivalente a cerca de R$ 254 milhões na cotação atual. Apelidado de Jodi, o fóssil foi arrematado na terça-feira (27), durante um leilão realizado pela Sotheby’s, em Nova York, nos Estados Unidos.
A disputa pelo espécime durou aproximadamente 12 minutos e envolveu seis interessados, que participaram por telefone e pela internet. A identidade do comprador não foi divulgada. O valor final superou amplamente a estimativa inicial da casa de leilões, que previa uma venda entre US$ 6 milhões e US$ 9 milhões, cerca de R$ 32 milhões a R$ 48 milhões.
Com o resultado, Jodi passou a ocupar o segundo lugar entre os fósseis de dinossauro mais caros já vendidos em leilões. O primeiro posto pertence a Gus, um esqueleto de T. rex negociado por US$ 50,1 milhões, aproximadamente R$ 269 milhões, em julho deste ano.
Nanotyrannus viveu no mesmo período do T. rex
Com cerca de 67 milhões de anos, o animal representado pelo esqueleto viveu durante o Período Cretáceo, na mesma época que o Tyrannosaurus rex. Apesar da aparência semelhante, o Nanotyrannus tinha aproximadamente metade do comprimento de um T. rex adulto.
O dinossauro também apresentava diferenças anatômicas em relação ao famoso predador. Seus membros anteriores eram relativamente mais longos, as garras das mãos eram maiores e os dentes, mais finos e afiados, tinham formato semelhante ao de lâminas, segundo informações citadas pela ABC News.
A classificação do Nanotyrannus foi motivo de debate entre paleontólogos durante décadas. Parte dos pesquisadores defendia que os fósseis atribuídos ao gênero pertenciam, na realidade, a exemplares jovens de T. rex. Uma pesquisa publicada em 2025, porém, concluiu que o Nanotyrannus era um gênero distinto. De acordo com a Sotheby’s, foram identificadas mais de 150 diferenças anatômicas entre os dois dinossauros.
O espécime colocado à venda pertence a um indivíduo adulto, conclusão baseada em seu tamanho e no desenvolvimento dos ossos. Jodi mede aproximadamente 6 metros de comprimento e chega a 2,9 metros de altura na estrutura de exposição. O esqueleto é considerado cerca de 70% completo e reúne aproximadamente 191 elementos ósseos fossilizados.
Trata-se de um dos três esqueletos substanciais de Nanotyrannus conhecidos pela ciência. Além disso, é o primeiro espécime do gênero colocado à venda desde a publicação do estudo que confirmou a distinção entre o animal e o T. rex, o que aumentou seu interesse científico e comercial.
Fóssil foi encontrado em propriedade rural de Montana
A história de Jodi começou em 2019, quando a fazendeira Jodi Pierson encontrou os restos fossilizados do dinossauro em sua propriedade, na Formação Hell Creek, no estado de Montana. O esqueleto recebeu o apelido em homenagem à mulher responsável pela descoberta.
Depois da localização dos restos, uma equipe de caçadores profissionais de fósseis participou da escavação do espécime. O trabalho foi apresentado na série documental Dino Hunters, exibida pelo Discovery Channel em 2020. Antes do leilão, o esqueleto ficou exposto na sede da Sotheby’s, em Manhattan, onde pôde ser observado pelos visitantes.
A venda milionária, no entanto, também gerou críticas de pesquisadores. Eles alertam que fósseis cientificamente importantes podem acabar restritos a coleções particulares, dificultando o acesso de especialistas e a realização de novos estudos.
O destino de Jodi ainda não foi informado. Como o comprador não teve a identidade revelada, não se sabe se o esqueleto será disponibilizado para pesquisas e exposições ou se passará a integrar uma coleção privada.









