A poluição atmosférica tem sido associada a um aumento no risco de pensamentos suicidas e mortes por suicídio, segundo estudo publicado na revista científica Journal of Epidemiology & Community Health em 15 de setembro. A pesquisa reforça a necessidade de integrar ações de saúde ambiental às estratégias de prevenção ao suicídio, destacando que a mitigação da poluição deve fazer parte de uma abordagem multidisciplinar que envolva tratamentos tradicionais, como psiquiatria e psicologia, além de políticas de proteção ao meio ambiente.
O levantamento, realizado por uma equipe de pesquisadores, analisou diferentes tipos de poluição e fatores relacionados à saúde mental, incluindo poluição atmosférica, sonora, luminosa e hídrica, além de variáveis sociais, demográficas, de sexo e renda. Para isso, os cientistas revisaram uma vasta base de dados, composta por estudos publicados entre janeiro de 2010 e abril de 2024. Inicialmente, foram selecionados 287 trabalhos, mas apenas 45 atenderam aos critérios de elegibilidade, sendo que 33 investigaram mortes por suicídio, 7 abordaram pensamentos suicidas e 5 analisaram tentativas de suicídio.
No que tange aos tipos de poluição estudados, a maioria dos trabalhos (38) concentrou-se na exposição à poluição do ar, enquanto poucos abordaram a poluição hídrica (3 estudos), sonora (3 estudos) e luminosa (1 estudo). Os resultados indicaram que, ao contrário do que se poderia esperar, fatores sociodemográficos como sexo, renda ou aspectos sociais não apresentaram associações concretas com o risco de suicídio ou ideias suicidas.
Por outro lado, as condições atmosféricas emergiram como o principal fator de preocupação. A análise conjunta dos dados revelou que partículas finas (PM2,5 e PM10) e compostos gasosos presentes na poluição do ar estão associados a um aumento nas taxas de suicídio, mesmo em exposições de curto prazo. Especificamente, 13 estudos relacionaram a exposição a partículas finas PM2,5, enquanto outros sete analisaram os efeitos do PM10. Além disso, seis estudos indicaram uma associação entre a exposição prolongada a PM2,5 e sete estudos apontaram o NO2 (dióxido de nitrogênio) como fatores de risco para o suicídio.
Outros poluentes atmosféricos, como dióxido de enxofre (SO2) e ozônio (O3), também foram relacionados às taxas de suicídio. Os pesquisadores explicam que a presença de partículas e gases tóxicos na atmosfera pode causar inflamação crônica e danos neurológicos, fatores que potencialmente prejudicam a função cerebral e influenciam o humor, contribuindo para o aumento de pensamentos suicidas.
Apesar dos resultados consistentes, os autores do estudo destacam as limitações da pesquisa, como a escassez de dados sobre os efeitos da poluição hídrica e luminosa, cujas evidências ainda são insuficientes devido ao número reduzido de estudos e à diversidade de medidas utilizadas. Além disso, a necessidade de ampliar o número de indivíduos analisados antes de estabelecer uma relação definitiva entre poluição e saúde mental é ressaltada pelos cientistas, que alertam para a complexidade do tema e a importância de futuras investigações mais aprofundadas.








