Um abrangente estudo genético realizado por uma equipe internacional de pesquisadores revelou que os morcegos, animais voadores que desempenham papel fundamental na ecologia, tiveram sua origem na Europa há aproximadamente 65 milhões de anos. Este dado contrasta com hipóteses anteriores que sugeriam que esses mamíferos teriam surgido na Ásia, na África ou nas Américas há cerca de 50 milhões de anos. A pesquisa, considerada a mais completa já realizada envolvendo DNA e fósseis de morcegos, foi publicada na revista Nature nesta quarta-feira (23 de setembro).
O estudo envolveu a criação de novas montagens de genomas de 41 espécies de morcegos, que foram analisadas em conjunto com 62 sequências genéticas já existentes, totalizando 103 genomas diferentes. Além disso, os pesquisadores incorporaram dados de 44 fósseis de morcegos, abrangendo todas as 21 famílias atualmente reconhecidas na taxonomia desses mamíferos. Essa abordagem permitiu uma análise detalhada da evolução e dispersão dos morcegos ao longo do tempo, consolidando-se como o maior levantamento genético e paleontológico do gênero até hoje.
Liderado pelo projeto internacional Bat1K, que contou com a colaboração de 137 cientistas, o estudo não apenas determinou o local de origem dos primeiros morcegos, mas também trouxe avanços na compreensão de características essenciais à sua sobrevivência. Entre esses atributos, destacam-se a ecolocalização e o voo verdadeiro, que, segundo as análises, evoluíram há cerca de 50 milhões de anos. Anteriormente, a comunidade científica acreditava que tais habilidades só surgiram após a diversificação dos morcegos modernos. Contudo, a análise de fósseis de aproximadamente 50 milhões de anos revelou sinais de que esses animais já possuíam habilidades avançadas de orientação e voo, indicando uma evolução precoce dessas capacidades.
A coautora do estudo, Sonja Vernes, destacou a importância da pesquisa ao afirmar que ela fornece uma árvore genealógica robusta e uma compreensão clara da biogeografia dos morcegos. Essa estrutura evolutiva, até então, tinha sido um ponto de incerteza para os cientistas por décadas. Com esse avanço, todas as demais hipóteses sobre a evolução desses mamíferos começam a se encaixar de forma mais coerente, contribuindo para uma compreensão mais precisa de sua história evolutiva.
Após sua origem na Europa, os morcegos se dispersaram para outros continentes, incluindo a África, Ásia, América e Austrália, expandindo seu alcance geográfico ao longo de milhões de anos. Além da origem, o estudo também trouxe insights sobre a longevidade dos morcegos, indicando que esses mamíferos adquiriram uma expectativa de vida maior em comparação a outros animais de tamanho semelhante, o que lhes conferiu maior resistência a doenças graves.
Esses achados não apenas proporcionam uma base sólida para futuras pesquisas sobre as características biológicas e comportamentais dos morcegos, mas também oferecem informações valiosas para ações de conservação. Considerados essenciais para o equilíbrio ecológico — por sua participação na polinização, dispersão de sementes e controle de pragas — os morcegos enfrentam ameaças que podem ser mitigadas com uma compreensão mais aprofundada de sua história evolutiva e biologia. Assim, o estudo reforça a importância de estratégias de preservação que garantam a sobrevivência dessas criaturas, cuja relevância ecológica é reconhecida globalmente.









