Pesquisadores da Universidade de Ciências Ambientais e da Vida de Wrocław, na Polônia, identificaram protozoários tricomonadídeos na cavidade bucal de cães e gatos domésticos. O grupo inclui o Trichomonas tenax, microrganismo frequentemente encontrado na boca humana. Os resultados levantam a possibilidade de que pessoas e animais de estimação compartilhem esses parasitas, mas ainda não comprovam a transmissão direta entre tutores e bichos nem esclarecem os riscos da presença dos protozoários nos animais.
O estudo foi publicado no início de outubro na revista Veterinary Research Communications. Ao todo, os pesquisadores analisaram amostras de 151 cães e 87 gatos. Vestígios de tricomonadídeos foram encontrados em 17% das amostras coletadas de cães e em quase 6% das obtidas de gatos. O Trichomonas tenax esteve entre as espécies identificadas nos dois grupos.
Protozoário pode estar associado a problemas na boca
O Trichomonas tenax é um protozoário flagelado, ou seja, possui estruturas que ajudam em sua movimentação. Ele se alimenta de microrganismos presentes na boca e pode se instalar entre os dentes e nas áreas próximas às gengivas. Em seres humanos, a presença do parasita nem sempre provoca sintomas.
Apesar disso, estudos anteriores associaram o microrganismo a algumas doenças que atingem os tecidos responsáveis por sustentar os dentes. Os tricomonadídeos também podem produzir proteínas e enzimas capazes de danificar fibras de colágeno, componentes importantes para a estrutura dos tecidos. Em médio e longo prazo, esse processo pode contribuir para a deterioração dos tecidos moles da boca.
Entre os cães avaliados na pesquisa, os animais com mais de nove anos apresentaram maior probabilidade de abrigar tricomonadídeos orais. O levantamento também identificou uma maior ocorrência desses microrganismos entre cães com acúmulo intenso de tártaro.
Os autores, no entanto, ressaltam que esses resultados indicam apenas uma associação entre os fatores. O estudo não demonstra que o tártaro provoque a presença dos parasitas. Há outras condições que podem influenciar a exposição dos animais aos tricomonadídeos, como os hábitos e o ambiente de convivência.
Convívio com humanos é uma das hipóteses investigadas
Todos os gatos que tiveram resultado positivo para a presença de tricomonadídeos eram domésticos, tinham contato limitado com o ambiente externo e conviviam de perto com seres humanos. A observação levou os pesquisadores a sugerir que as pessoas podem atuar como uma possível fonte de infecção para os animais.
O T. tenax pode ser transmitido entre seres humanos por meio da saliva. Ainda não se sabe, porém, com que frequência ocorre a passagem do parasita entre espécies diferentes nem qual seria a direção predominante dessa transmissão. Pesquisas anteriores também já identificaram tricomonadídeos em cães, gatos e cavalos.
Uma das hipóteses levantadas pela equipe é que os cães tenham mais oportunidades de contato com outros animais e com o ambiente externo. Essa exposição poderia ajudar a explicar por que a proporção de amostras positivas foi maior entre os cães do que entre os gatos. A possibilidade, contudo, ainda precisa ser investigada.
Resultados variam entre os países
As diferenças observadas em pesquisas realizadas em outros países reforçam a necessidade de novos estudos. Um levantamento anterior conduzido na Polônia encontrou uma proporção menor de cães com tricomonadídeos. Já uma pesquisa realizada na vizinha República Tcheca registrou taxas próximas de 38% entre cães e de 10% entre gatos.
A comparação entre os estudos deve ser feita com cautela. A pesquisa tcheca também incluiu animais de abrigos, o que dificulta a comparação direta com os resultados obtidos exclusivamente em animais domésticos. Além disso, a identificação de tricomonadídeos não significa necessariamente que todos os animais positivos abrigassem especificamente o Trichomonas tenax, já que o grupo reúne diferentes espécies de protozoários.








