Uma pegada de cachorro foi encontrada preservada em um tijolo de barro produzido há aproximadamente 3.700 anos no sítio arqueológico de Tavşanlı Höyük, na região central da atual Turquia. A marca, que apresenta quatro dedos visíveis, provavelmente foi deixada quando o material ainda estava úmido, durante a preparação de uma construção da Idade do Bronze.
O achado foi feito por uma equipe de arqueólogos liderada por Erkan Fidan, da Universidade Bilecik Şeyh Edebali. As escavações ocorrem em Tavşanlı Höyük, localizado a cerca de 160 quilômetros ao sul de Istambul. A descoberta foi divulgada neste mês pelo ministro da Cultura e Turismo da Turquia, Mehmet Nuri Ersoy.
Com quase 40 hectares de extensão, Tavşanlı Höyük está entre os maiores sítios arqueológicos associados à Idade do Bronze na região. O local reúne vestígios de comunidades da Anatólia que viveram ali ao longo de diferentes períodos, com registros que remontam a até 8 mil anos, segundo informações da Popular Science.
A equipe coordenada por Fidan trabalha no sítio arqueológico há mais de cinco anos. Em 2021, os pesquisadores iniciaram a investigação de restos de construções datadas de aproximadamente 3.700 anos. Entre os vestígios analisados estão partes de paredes feitas com tijolos de barro, um dos materiais utilizados nas edificações daquele período.
Os tijolos eram fabricados a partir de uma mistura de terra, água e palha. Depois de moldados, os blocos eram deixados para secar ao sol antes de serem usados nas construções. Foi provavelmente nessa etapa que um cachorro passou sobre um dos tijolos ainda úmidos e deixou a marca de sua pata. A impressão permaneceu no material e acabou atravessando milhares de anos até ser identificada pelos arqueólogos.
Não há informações suficientes para determinar como a pegada foi produzida. O animal pode ter atravessado o local por conta própria, sem ser percebido pelos trabalhadores, ou pode ter sido colocado sobre o bloco por alguém. Também não se sabe se a marca foi intencional ou acidental. Apesar da impressão, o tijolo não foi descartado e acabou incorporado à parede da construção.
Para Mehmet Nuri Ersoy, o vestígio mostra que a arqueologia não se limita à localização de monumentos, estruturas grandiosas ou objetos de valor. “Em Tavşanlı Höyük, revelamos não apenas estruturas e artefatos, mas também esses pequenos e inesperados vestígios da vida”, afirmou o ministro.
A construção onde o tijolo foi encontrado teve, no entanto, um fim trágico. Os pesquisadores concluíram que a estrutura foi destruída por um incêndio. Duas pessoas que estavam em seu interior morreram no episódio, conforme indicam os vestígios localizados durante as escavações.
Apesar disso, não foram encontrados restos mortais de um cachorro entre as ruínas. A ausência de vestígios do animal sugere que o responsável pela pegada já não estava no local quando o incêndio ocorreu. Dessa forma, a marca deixada no tijolo se tornou um dos poucos registros preservados de sua passagem pela construção.
O achado evidencia como marcas aparentemente comuns podem contribuir para a compreensão da vida cotidiana em sociedades antigas. Em meio às paredes destruídas e aos vestígios do incêndio, a pegada registra um episódio simples: a passagem de um cachorro por uma obra há cerca de 3.700 anos.







