Uma pesquisa conduzida por cientistas da Universidade de Durham, na Inglaterra, analisou de que forma a modulação do tom de voz masculina influencia as avaliações de dominância e atratividade, especialmente quando os avaliadores também podem ver quem está falando. Os resultados indicam que uma voz mais grave tende a conferir ao homem uma aparência de maior força, capacidade de luta e domínio, embora essa característica não aumente necessariamente sua atratividade.
O estudo, publicado na revista Royal Society Open Science em 23 de setembro de 2023, buscou entender se a alteração do tom vocal durante a puberdade, quando a voz masculina passa a ficar mais grave, possui uma função evolutiva relacionada à atração de parceiras ou à competição entre homens. Uma das hipóteses sugere que tons mais baixos poderiam servir como um sinal de força e dominância, ajudando a intimidar rivais, enquanto outra teoria aponta que essa característica teria evoluído para atrair possíveis parceiras.
Para realizar a pesquisa, os cientistas filmaram 17 homens com diferentes características físicas, incluindo altura, peso e tipo de corpo. Cada participante foi filmado de corpo inteiro enquanto pronunciava uma contagem de um a cinco em voz alta. Em seguida, as gravações tiveram o tom e a ressonância vocal digitalmente ajustados, aumentando ou diminuindo essas características, resultando em 12 versões distintas da voz de cada homem.
Essas gravações modificadas foram apresentadas a centenas de voluntários em um estudo online, nos quais os participantes assistiram aos vídeos acompanhados das versões alteradas das vozes e também a versões sem áudio, apenas com a imagem dos homens. Os participantes então avaliaram atributos como força física, capacidade de luta, dominância e atratividade. A intenção era determinar qual aspecto tinha maior impacto na percepção, seja a aparência visual ou as mudanças na voz.
Os resultados indicaram que a alteração do tom de voz influenciou significativamente as avaliações de dominância e força, com vozes mais graves sendo percebidas como mais dominantes, fortes e capazes de lutar. No entanto, essa modificação não teve efeito sobre a atratividade, especialmente quando os avaliadores puderam ver a aparência física dos homens. Assim, a gravidade da voz não foi considerada um fator que aumentasse a atração sexual ou o apelo estético.
Além disso, o estudo revelou que a altura da voz também desempenha um papel na percepção de atratividade: tons mais altos reduziram essa avaliação, enquanto tons mais baixos, embora considerados mais dominantes, não proporcionaram um aumento na atratividade. Os autores sugerem que a evolução da voz masculina mais grave pode estar mais relacionada à demonstração de poder e dominância em contextos de competição entre homens do que a uma estratégia voltada à sedução.
Por outro lado, os pesquisadores destacam algumas limitações do estudo. A amostra foi composta predominantemente por participantes de países ocidentais, principalmente Estados Unidos, o que pode limitar a generalização dos resultados para outras populações culturais. Além disso, as gravações utilizadas eram curtas, contendo apenas cerca de um segundo de fala, e apenas duas características acústicas foram modificadas, o que pode não refletir toda a complexidade da voz natural em situações cotidianas. Os autores ressaltam que gravações mais longas, naturais e com outras propriedades vocais poderiam produzir resultados diferentes, indicando a necessidade de estudos adicionais para aprofundar essa compreensão.









