Uma antiga unidade da rede de lojas de conveniência 7-Eleven, localizada no centro de Seattle, nos Estados Unidos, foi transformada em uma instalação de arte intitulada “Inconvenience Store” (“Loja de Inconveniência”). A iniciativa, que estreou oficialmente em 19 de setembro, ocupa o espaço que antes abrigava a loja e conta com a participação de aproximadamente 70 artistas, em sua maioria locais. A proposta da exposição é oferecer uma experiência que mistura o familiar com o desconforto, explorando a ideia de que a conveniência, característica marcante dessas lojas, pode ser reinterpretada de forma artística e provocativa.
A instalação mantém elementos típicos de uma loja de conveniência, como balcões de alimentos, caixas registradoras, geladeiras e prateleiras organizadas por categorias, mas apresenta versões inusitadas de produtos comuns. Entre as criações, há cabos USB pré-enrolados, velas em formato de ovo, bolsas feitas com embalagens de salgadinhos e chaveiros que remetem a doces e biscoitos. Todos esses itens estão à venda, com preços variando de US$ 1 a US$ 10 mil (aproximadamente R$ 5,12 a R$ 51,12 mil, na cotação atual), com valores exibidos de forma transparente para os visitantes.
A concepção da exposição foi liderada pelas artistas Lilia Deering e Mary Anne Carter, responsáveis também pela futura mostra “STÖR”, prevista para 2024, que satiriza uma loja da IKEA, rede sueca de móveis e decoração. A iniciativa busca criar uma experiência artística que dialogue com o cotidiano, ao mesmo tempo em que provoca reflexão sobre o consumo e a acessibilidade à arte.
< h2 >Contexto e concepção da instalação
A “Inconvenience Store” ocupa o térreo de um prédio que anteriormente funcionava como uma loja da rede 7-Eleven, na esquina da Third Avenue com a Pine Street. O espaço mantém elementos típicos de uma loja de conveniência, como balcões de alimentos, geladeiras e prateleiras, mas foi completamente reconfigurado para abrigar obras de arte produzidas manualmente. Essas obras foram criadas com técnicas que demandam maior tempo e esforço, destacando o aspecto artesanal e o valor do trabalho manual frente à lógica da eficiência e da produção em massa.
De acordo com Mary Anne Carter, as artistas tomaram medidas meticulosas para realizar as criações à mão, o que, embora não seja o método mais eficiente ou barato, resulta em objetos de valor artístico e simbólico. A curadoria solicitou aos participantes que desenvolvessem interpretações abstratas de produtos típicos de lojas de conveniência, distribuídas por 14 departamentos que abrangem alimentos, saúde, beleza e materiais de escritório.
Entre as peças destacadas estão uma vela que também funciona como régua, que se reduz à medida que é queimada; canecas feitas com contas de plástico com furos; um “iPhone fixo” que toca a música “Vertigo”, do U2, ao atender; e uma máquina que troca moedas por gravuras e adesivos. As obras, muitas delas de caráter humorístico ou irônico, reforçam a ideia de que a arte pode ser inconveniente e desafiadora.
< h2 >Objetivos e impacto da exposição
Segundo as organizadoras, a exposição busca ir além do simples caráter artístico, promovendo uma experiência que aproxima o público da rotina de compras e consumo. A intenção é tornar a aquisição de arte mais acessível, eliminando as barreiras tradicionais de galerias com paredes brancas, preços pouco transparentes e processos de compra pouco claros. A proposta é que os visitantes possam circular pelo espaço, conhecer as obras e até levá-las para casa, promovendo uma relação mais direta e descomplicada com a arte.
As idealizadoras também veem na instalação uma forma de revitalizar um espaço vazio no centro de Seattle, que faz parte de uma iniciativa maior de ocupação de imóveis abandonados por projetos culturais. O espaço, localizado no térreo do prédio Parnassus, foi adquirido em abril passado pela organização sem fins lucrativos Base Camp Studios, que pretende transformá-lo em um centro permanente de galerias e estúdios para artistas. A ativação do local com a “Inconvenience Store” faz parte desse movimento de revitalização urbana e cultural, buscando promover uma maior integração entre o centro da cidade e a produção artística local.
A exposição, que deve permanecer aberta até meados de 2027, foi inaugurada após uma apresentação durante o Downtown Art Walk, em agosto. Para suas criadoras, o projeto também representa uma oportunidade de ampliar o acesso à arte e de estimular o diálogo sobre o consumo, o trabalho manual e a cultura urbana, contribuindo para uma revitalização mais inclusiva e criativa do espaço urbano no centro de Seattle.








