Após mais de um século de desaparecimento, os destroços do contratorpedeiro HMS Tiger, integrante da Marinha Real britânica, foram finalmente encontrados no Canal da Mancha, próximo à Ilha de Wight, na costa sul da Inglaterra. A descoberta foi anunciada nesta segunda-feira (10 de agosto) pela Marinha Real, encerrando uma busca que durou aproximadamente cinco anos, conduzida por uma equipe de mergulhadores e pesquisadores vinculados ao projeto de investigação histórica e arqueológica conhecido como ProjectXplore.
O HMS Tiger afundou em 1908 durante um exercício militar noturno, após uma colisão com o cruzador HMS Berwick. Na ocasião, o contratorpedeiro, que tinha cerca de 400 toneladas, foi atingido na região central por uma embarcação de aproximadamente 10 mil toneladas. O impacto partiu o navio ao meio, causando a morte do capitão e de vários tripulantes. A proa do HMS Tiger afundou imediatamente, levando consigo os membros da tripulação, enquanto a parte traseira permaneceu na superfície por cerca de três minutos antes de também sumir no fundo do mar. Na época, a tripulação totalizava 57 pessoas, das quais menos da metade conseguiu sobreviver à tragédia, segundo informações da Marinha Real britânica.
O naufrágio, ocorrido durante manobras militares, ganhou destaque na imprensa britânica da época, com o rei Edward VII enviando telegramas de condolências e cartões-postais comemorativos sendo produzidos em homenagem às vítimas. Apesar das tentativas de localizar os destroços ao longo de mais de um século, a posição exata do HMS Tiger permaneceu desconhecida até agora.
A recente descoberta ocorreu após anos de pesquisa em arquivos históricos e análise de registros, que permitiram delimitar uma área provável para o afundamento. O trabalho do ProjectXplore também resultou na localização dos destroços do cruzador HMS Nottingham, desaparecido no Mar do Norte desde a Primeira Guerra Mundial, no ano passado.
A descoberta dos destroços do HMS Tiger coincide com o debate no governo britânico sobre mudanças na legislação de proteção de naufrágios militares. O projeto de lei atualmente em tramitação no Parlamento propõe ampliar a proteção jurídica de embarcações militares encontradas no fundo do mar, incluindo navios com mais de 200 anos de desaparecimento. Caso aprovado, o HMS Tiger poderá receber automaticamente a classificação de “local protegido”, impedindo a retirada de objetos ou qualquer intervenção que possa prejudicar o sítio arqueológico sem autorização oficial.
A vice-oficial responsável pelos naufrágios na Marinha Real, tenente-comandante Jen Smith, destacou a importância de preservar esses locais históricos. Ela afirmou que a manutenção dos sítios ajuda a conservar a memória das embarcações e de suas tripulações, recomendando aos mergulhadores que observem, aprendam e prestem homenagens de maneira respeitosa, sem perturbar os locais.
Atualmente, a legislação britânica protege dezenas de naufrágios militares, sobretudo aqueles ocorridos nos últimos 200 anos. A proposta em discussão amplia esse escopo, incluindo embarcações militares com mais de dois séculos e também navios mercantes que estavam em serviço militar na época do naufrágio. A iniciativa busca assegurar a preservação histórica e evitar a exploração indevida desses sítios marítimos, que representam importantes testemunhos do passado naval do Reino Unido.








