Pesquisadores internacionais anunciaram a descoberta de uma nova espécie de macaco na República Democrática do Congo, conhecida localmente como Likweli. O animal, classificado como Colobus congoensis, havia permanecido fora do registro científico por anos, sem que houvesse sinal de sua existência. Antes deste estudo, a única evidência fotográfica do macaco datava de 2008, quando foi registrado no que atualmente é o Parque Nacional de Lomami. No entanto, após um esforço de pesquisa que se estendeu por quase duas décadas, os cientistas conseguiram coletar 114 observações de campo, quantidade considerada suficiente para confirmar a nova espécie.
A pesquisa foi liderada pela Universidade Atlântica da Flórida, com a colaboração de instituições da Alemanha e da República Democrática do Congo. Os resultados do estudo foram publicados na revista científica Plos One na quarta-feira, 15 de julho. Junior Amboko, biólogo da Universidade Atlântica da Flórida e um dos autores do estudo, expressou sua empolgação com a descoberta, afirmando que ela destaca a rica biodiversidade da região e a quantidade de espécies ainda não documentadas.
Os avistamentos do Colobus congoensis ocorreram entre os anos de 2018 e 2022 e cobriram uma área de aproximadamente 1.700 quilômetros quadrados no Parque Nacional de Lomami. As observações foram realizadas por diversas equipes de patrulha que atuam na vigilância do parque. Essa área é conhecida por sua rica fauna e flora, mas também enfrenta desafios significativos, como a perda de habitat e a caça.
Entre as características físicas que distinguem a nova espécie estão os olhos escuros, maçãs do rosto proeminentes e uma boca de coloração rosa-alaranjada. O Likweli possui pelagem preta e lisa que se estende até a cauda, além de um traço marcante: mechas de pelos espetados ao redor do rosto, o que o torna visualmente distinto.
Os pesquisadores ressaltam a importância da descoberta do Colobus congoensis em um contexto de crescente degradação ambiental. A perda de habitat e a caça ilegal são ameaças significativas à fauna local, e a identificação de novas espécies como essa serve tanto como um triunfo científico quanto como um alerta sobre a fragilidade da biodiversidade. Kate Detwiler, uma das autoras da pesquisa, enfatizou que a descoberta do Likweli é um lembrete preocupante de que algumas das espécies mais raras do planeta podem desaparecer antes mesmo que a comunidade científica tenha a oportunidade de estudá-las.
A nova espécie representa não apenas um avanço para a ciência, mas também um chamado à ação para a conservação das áreas naturais e da biodiversidade que ainda permanece inexplorada. A pesquisa sobre o Colobus congoensis pode abrir caminho para futuras investigações sobre a vida selvagem na República Democrática do Congo e a necessidade urgente de proteger esses habitats.









