Um novo estudo conduzido pelo historiador alemão Harald Sandner traz à tona evidências que questionam a narrativa oficial sobre a morte de Geli Raubal, sobrinha de Adolf Hitler, ocorrida em setembro de 1931. A jovem, então com 23 anos, foi encontrada morta em seu apartamento em Munique com um tiro no pulmão, e a arma utilizada pertencia ao próprio líder nazista. Na época, Hitler tinha um álibi que o colocava a 170 km de distância, em Nuremberg, fato que contribuiu para sua inocência formalmente aceita, apesar de questionamentos posteriores ao caso.
Por décadas, o episódio permaneceu envolto em mistério, alimentando suspeitas de que o incidente pudesse ter sido um assassinato ou uma ação motivada por conflitos pessoais. Documentos oficiais da época indicam que a polícia chegou a afirmar que o corpo de Raubal foi encontrado na manhã do dia seguinte ao suposto ocorrido, enquanto Hitler ainda estaria na cidade, o que levanta dúvidas sobre a cronologia oficial. Além disso, registros do cartório de Munique revelam que Geli morreu em dois dias diferentes, uma discrepância que reforça a hipótese de uma narrativa manipulada.
Sandner descobriu, em arquivos de Munique, registros de óbitos e documentos oficiais que apontam para datas conflitantes. A versão oficial afirma que o mordomo de Hitler encontrou o corpo de Raubal no dia 19 de setembro, mas documentos indicam que ela já estaria morta na manhã do dia anterior, quando a polícia teria chegado ao apartamento. Essa contradição sugere uma possível tentativa de encobrir o momento exato da morte e quem estaria presente no local.
Outro aspecto que reforça as suspeitas de manipulação é a atuação de oficiais nazistas após o falecimento de Raubal. Segundo registros da época, houve reuniões entre membros do partido para discutir estratégias de comunicação e de gestão da informação, com o objetivo de proteger a imagem de Hitler. Essas reuniões, que podem ser interpretadas como uma tentativa de forjar relatos e documentos oficiais, indicam um esforço coordenado para manter a narrativa de que a morte de Geli teria sido um suicídio, apesar de sinais que sugerem violência física, como um possível nariz quebrado e discussões intensas nos dias anteriores ao incidente.
A relação entre Hitler e Raubal também é alvo de especulações. William Stuart-Houston, sobrinho do líder nazista, publicou um artigo em 1939 onde afirma que a relação entre tio e sobrinha ia além do comum, chegando a envolver uma gravidez que teria enfurecido Hitler. Documentos e relatos indicam que Geli mudou-se para Munique em 1927, aos 19 anos, e passou a residir no mesmo apartamento do tio dois anos depois, sob controle rigoroso do líder nazista. Pesquisadores que analisaram os documentos encontrados por Sandner alertam, no entanto, que é necessário que outros especialistas avaliem as evidências para confirmar sua autenticidade.
A revelação do estudo de Sandner reforça a hipótese de que o caso de Geli Raubal foi manipulado ou encoberto por interesses políticos e pessoais, o que permanece como um mistério até os dias atuais. A complexidade das evidências, aliada às contradições nos registros oficiais, sugere que a versão oficial sobre a morte da jovem pode não refletir toda a realidade dos fatos, levantando novas questões sobre os bastidores do regime nazista e a figura de Hitler.









