O sangramento nasal, conhecido clinicamente como epistaxe, é uma condição comum que, na maior parte das vezes, não indica problemas de saúde graves. Entretanto, episódios frequentes, intensos ou que não cessam após alguns minutos podem representar riscos à saúde e demandar avaliação médica especializada. A compreensão dos fatores que contribuem para o sangramento, bem como os procedimentos corretos para o manejo inicial, é fundamental para evitar complicações e identificar casos que necessitam de intervenção.
A epistaxe costuma estar relacionada a condições como ressecamento da mucosa nasal, resfriados, rinite, sinusite ou pequenos traumas na região. Crianças entre 2 e 10 anos são particularmente propensas ao problema, devido à fragilidade da mucosa nasal nesta faixa etária, além do hábito comum de colocar o dedo no nariz, que pode provocar lesões e romper vasos sanguíneos. Idosos também apresentam maior risco de sangramento nasal, devido à maior fragilidade dos vasos sanguíneos e ao uso frequente de medicamentos anticoagulantes e anti-inflamatórios, que aumentam a tendência ao sangramento.
Outros fatores que favorecem a ocorrência de epistaxe incluem clima frio e seco, assoar o nariz com força excessiva, traumas locais, uso prolongado de descongestionantes nasais em spray e alterações na pressão atmosférica, como aquelas experimentadas durante mergulhos ou viagens a altitudes elevadas. Esses elementos podem fragilizar os vasos sanguíneos ou causar irritação na mucosa, predispondo ao sangramento.
No momento do episódio, recomenda-se que a pessoa permaneça sentada e incline a cabeça levemente para frente, evitando a orientação comum de inclinar a cabeça para trás, que pode fazer o sangue escorrer para a garganta e causar engasgos ou vômitos. Para controlar o sangramento, deve-se aplicar compressão na parte mole do nariz com os dedos por cerca de 3 a 5 minutos, preferencialmente com um pedaço de algodão embebido em substância constritora nasal, além de colocar uma compressa fria sobre o nariz. É importante evitar assoar o nariz com força nas horas seguintes ao episódio, pois isso pode reabrir os vasos sanguíneos.
Manter a umidade do ambiente e da mucosa nasal também ajuda na prevenção de novos episódios, especialmente em períodos de clima seco. Caso o sangramento persista por mais de 15 a 30 minutos ou seja muito intenso, é imprescindível procurar atendimento médico. Episódios recorrentes ou acompanhados de sinais como manchas roxas pelo corpo, sangramentos em outras regiões, obstrução nasal ou histórico familiar de distúrbios de coagulação também justificam avaliação especializada.
O otorrinolaringologista pode determinar a origem do sangramento, que pode ser anterior ou posterior. A epistaxe anterior, responsável por aproximadamente 90% dos casos, ocorre na parte da frente do nariz, onde há vasos sanguíneos frágeis, sendo mais fácil de controlar. Nesse caso, procedimentos como cauterização química do vaso sanguíneo podem ser utilizados, além de tratamentos para manter a mucosa hidratada e tratar condições que favorecem o problema, como rinite, sinusite e ressecamento nasal.
A epistaxe posterior, que ocorre em regiões mais profundas do nariz, tende a ser mais grave, podendo resultar em perdas significativas de sangue e exigir atendimento de emergência. Nesses casos, o tratamento geralmente envolve procedimentos cirúrgicos para identificar o ponto de sangramento e realizar ligadura da artéria ou cauterização elétrica do vaso, além de possíveis intervenções combinadas.
Por fim, episódios frequentes de sangramento nasal, mesmo que não sejam emergenciais, não devem ser ignorados. Esses episódios podem estar associados a condições como rinite alérgica, sinusite crônica, desvio de septo, hipertensão arterial não controlada ou distúrbios de coagulação. Em casos raros, a recorrência pode indicar a presença de tumores nasais ou dos seios da face, reforçando a importância de investigação médica adequada diante de sangramentos repetidos.









