O Reino Unido concluiu a retirada dos três mastros do SS Richard Montgomery, navio da Segunda Guerra Mundial que afundou em 1944 no estuário do rio Tâmisa, na Inglaterra. A operação reduziu o risco de que as estruturas, deterioradas e ainda visíveis acima da água, desabassem sobre a carga explosiva armazenada no interior dos destroços. Cerca de 1.400 toneladas de explosivos, distribuídas em aproximadamente 13.700 artefatos, continuam no local.
A conclusão da intervenção foi informada pelo Departamento de Transportes do Reino Unido ao Parlamento britânico. A medida tinha como principal objetivo eliminar o risco associado à possível queda dos mastros sobre as munições. O temor das autoridades e dos especialistas era que o colapso dessas estruturas provocasse deslocamentos no naufrágio ou atingisse diretamente a carga explosiva.
Os planos para remover os mastros foram anunciados em abril deste ano, depois de uma recomendação feita por especialistas em 2020. Avaliações técnicas indicaram que o peso das estruturas poderia contribuir para a instabilidade do navio, submerso há 82 anos. Na ocasião, também foram identificados sinais de inclinação e deterioração no SS Richard Montgomery, além do enfraquecimento de partes do convés localizadas nas proximidades dos mastros.
Retirada foi feita para limitar vibrações no naufrágio
O trabalho ficou sob responsabilidade da empresa de salvamento marítimo Resolve Marine Group. Segundo Nolan Conway, arquiteto naval da companhia, a equipe precisou avançar de maneira controlada por causa da fragilidade do convés e dos elementos estruturais que cercavam os mastros.
Entre os procedimentos utilizados esteve o corte com fio diamantado, escolhido por gerar menos vibrações do que outras técnicas. A redução dos tremores era considerada fundamental para evitar movimentos nos destroços e diminuir a possibilidade de interferência na carga de munições.
Os mergulhadores também tiveram de se deslocar com cuidado sobre o convés deteriorado. De acordo com Conway, os três mastros estavam em condições de preservação consideradas surpreendentemente boas, mas as estruturas ao redor deles eram extremamente finas e frágeis. Após a remoção, os mastros foram levados ao Estaleiro Histórico de Chatham, museu marítimo situado no condado de Kent, na Inglaterra.
A retirada solucionou o risco específico de que os mastros caíssem sobre os explosivos. A operação, porém, não eliminou o problema central do naufrágio: a permanência de milhares de munições no fundo do estuário do Tâmisa.
Munições permanecem no fundo do estuário
Construído nos Estados Unidos em 1943, o SS Richard Montgomery chegou à Inglaterra durante a Segunda Guerra Mundial carregando cerca de 7 mil toneladas de munições. O navio deveria permanecer ancorado nas proximidades de Sheerness, mas encalhou em um banco de areia.
Antes do naufrágio, a tripulação conseguiu retirar aproximadamente metade da carga. No entanto, uma rachadura no casco levou a embarcação ao fundo, deixando milhares de artefatos no estuário. Desde então, a área é monitorada pelas autoridades britânicas, que também mantêm restrições de voo nas proximidades.
Uma investigação publicada pela revista New Scientist em 2004 apontou que as bombas possuem proteção contra a entrada de água, mas os detonadores não contam com o mesmo nível de impermeabilização. A infiltração de água salgada é, portanto, considerada um possível fator de risco para uma eventual explosão.
O levantamento descreveu ainda um cenário extremo no qual uma detonação poderia quebrar praticamente todas as janelas de Sheerness e lançar uma coluna de água, lama, metal e munições a até três quilômetros de altura. A extensão real dos efeitos, contudo, permanece incerta. Em artigo publicado em 2019, David Alexander, especialista em planejamento de emergências da University College London, destacou que ainda existem dúvidas sobre as consequências de uma possível explosão.
Ao longo das décadas, diferentes alternativas foram sugeridas para reduzir os riscos. Entre elas estavam o recobrimento do naufrágio com areia ou concreto e a construção de uma vala de proteção ao redor da embarcação, permitindo a retirada gradual das munições. Nenhuma dessas propostas foi colocada em prática.
O comunicado apresentado ao Parlamento não mencionou novos planos para remover a carga explosiva. Por enquanto, as autoridades continuarão acompanhando as condições do SS Richard Montgomery. A retirada dos mastros representa uma redução dos riscos estruturais, mas a ameaça relacionada às munições permanece no local.









