A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) anunciou nesta segunda-feira, 24 de outubro, a confirmação dos dois primeiros casos de Febre do Nilo Ocidental em seres humanos no estado, marcando um marco histórico na saúde pública paulista. Em Santa Catarina, uma mulher de 77 anos morreu em Imbituba após contrair a doença, sendo esse o primeiro óbito registrado por essa enfermidade no Brasil.
Os casos em Santa Catarina envolvem dois pacientes com manifestações neurológicas. Um deles, uma mulher de 77 anos em Imbituba, apresentou quadro clínico grave que evoluiu para óbito, uma ocorrência considerada rara na doença. O outro paciente, um homem de 56 anos em Caçador, também apresentou sintomas neurológicos, mas recebeu alta hospitalar após internação. Ambos os casos tiveram seus locais de infecção sob investigação epidemiológica, assim como os casos em São Paulo.
Em São Paulo, o primeiro caso confirmado é de uma mulher de 34 anos, residente em Ribeirão Preto, que possui histórico recente de viagem à região amazônica. Ela já se recuperou da infecção. O segundo caso envolve uma adolescente de 18 anos, moradora de São José do Rio Preto, que permanece internada sob cuidados médicos. As autoridades continuam investigando o provável local de infecção desses pacientes.
A diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica de São Paulo, Tatiana Lang D’Agostini, destacou a relevância da confirmação dos casos para reforçar a vigilância epidemiológica. “A confirmação dos dois primeiros casos humanos de Febre do Nilo Ocidental no estado reforça a importância da vigilância epidemiológica e do acompanhamento permanente da situação. As equipes municipais e estaduais seguem atuando na investigação dos casos para identificar o local provável de infecção e orientar as medidas de prevenção”, afirmou.
Este é o primeiro registro de casos humanos de Febre do Nilo Ocidental em São Paulo, uma doença que até então tinha sido identificada apenas em outros estados brasileiros. Com as confirmações, as autoridades de saúde reforçam orientações à população sobre os principais sintomas e medidas de prevenção, especialmente o cuidado com a exposição aos mosquitos transmissores, do gênero Culex.
A Febre do Nilo Ocidental é uma infecção viral causada por um arbovírus, pertencente ao mesmo grupo de vírus que inclui dengue, Zika, chikungunya e febre amarela. A transmissão ocorre principalmente por meio da picada do mosquito Culex, que adquire o vírus ao se alimentar do sangue de aves infectadas. Embora muitas pessoas infectadas não apresentem sintomas, estima-se que cerca de 20% desenvolvam manifestações clínicas, que variam de febre passageira a quadros mais graves, afetando o sistema nervoso central ou periférico.
Nos casos mais severos, a doença pode evoluir para encefalite, meningite ou outras complicações neurológicas, exigindo avaliação médica imediata e, frequentemente, internação hospitalar. Os sintomas incluem febre, mal-estar, dor de cabeça, náuseas, vômitos, dores musculares, manchas na pele, aumento dos gânglios linfáticos e sintomas neurológicos como confusão mental, tremores e convulsões.
O diagnóstico é realizado por meio de avaliação clínica e exames laboratoriais, sobretudo em casos suspeitos com histórico de exposição a áreas com presença de mosquitos transmissores. Não há vacina ou tratamento antiviral específico disponível para a doença em humanos; o manejo clínico é de suporte, focando na hidratação, repouso e acompanhamento médico. Em quadros graves, pode haver necessidade de internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), com suporte ventilatório, reposição de líquidos e medidas para prevenir complicações.
As recomendações de prevenção incluem o uso de repelentes, roupas de proteção, telas em portas e janelas, eliminação de recipientes que acumulam água, descarte adequado de lixo e cuidado ao manusear animais mortos, especialmente no período do entardecer ao amanhecer, quando a atividade dos mosquitos é maior.
O Ministério da Saúde acompanha de perto as investigações, oferecendo suporte técnico aos estados e preparando uma nota técnica com orientações atualizadas para reforçar a vigilância nacional. Até o momento, em 2026, foram confirmados dois casos em Santa Catarina, dois em São Paulo e há um caso provável no Piauí. A pasta reforça a importância do diagnóstico precoce e do atendimento adequado, uma vez que a maioria dos infectados apresenta sintomas leves, mas os quadros graves requerem atenção especializada.








