Uma pesquisa divulgada pela Reuters/Ipsos revelou que a aprovação pública dos Estados Unidos em relação à guerra com o Irã atingiu seu nível mais baixo desde o início do conflito, contribuindo para uma queda significativa na popularidade do presidente Donald Trump. A pesquisa, realizada ao longo de quatro dias e encerrada na segunda-feira, dia 24 de outubro, aponta que apenas 31% dos norte-americanos apoiam a ação militar dos Estados Unidos contra o Irã, uma redução em relação aos 37% registrados na rodada de março e aos 34% do início deste mês.
A diminuição no apoio à intervenção militar foi especialmente marcada entre os eleitores republicanos, cujo respaldo caiu de 77% em março para 69% nesta última pesquisa. Essa mudança reflete um cenário de desgaste político e de crescente ceticismo da população em relação ao conflito, que já dura mais de seis meses e tem impacto direto na popularidade de Trump, que enfrenta seu nível mais baixo de aprovação na série de pesquisas da Reuters/Ipsos durante seus dois mandatos presidenciais.
Desde o início dos ataques dos EUA e de Israel ao Irã, ocorridos em 28 de fevereiro, o governo americano defende que a ação é necessária para evitar que Teerã desenvolva armas nucleares. Apesar de a intensidade do conflito ter diminuído nos últimos meses, o Irã manteve um bloqueio às exportações de petróleo da região, o que provocou o aumento dos preços da gasolina nos Estados Unidos, chegando a níveis próximos de recordes históricos.
O governo Trump anunciou planos de intensificar a pressão econômica sobre o Irã, com o secretário do Tesouro, Scott Bessent, indicando uma possível ampliação das sanções contra países que mantenham relações comerciais com Teerã. Contudo, até o momento, nenhuma penalidade concreta foi imposta, sinalizando as dificuldades de uma política mais agressiva diante do conflito.
Segundo a pesquisa, 83% dos entrevistados acreditam que a guerra deverá se prolongar por um período considerável, um aumento em relação aos 80% registrados no início do mês, indicando uma percepção de conflito de longa duração entre a população. A situação econômica, especialmente o aumento dos preços da gasolina, tem pesado sobre a popularidade de Trump, que, antes das eleições presidenciais de 2024, havia prometido controlar a inflação e evitar conflitos prolongados.
Seis meses após o início das hostilidades, os preços da gasolina nos Estados Unidos estão mais de um dólar mais caros por galão do que eram antes do conflito, o que tem dificultado a campanha de Trump e seus aliados republicanos, que enfrentam eleições de meio de mandato em 3 de novembro, com margens estreitas no Congresso.
Além disso, o levantamento aponta uma preferência maior pelos democratas entre eleitores independentes, com 33% favoráveis aos democratas e 19% aos republicanos, reforçando o desafio político que o atual cenário de guerra representa para a administração Trump.
A pesquisa entrevistou 1.215 adultos em todo o território norte-americano e possui uma margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos. Os resultados evidenciam o impacto do conflito com o Irã na opinião pública e na popularidade do presidente, em um momento de forte disputa política e econômica nos Estados Unidos.









