A BYD já homologou mais de 400 empresas e negocia com outras 250 para formar uma cadeia nacional de fornecedores e ampliar a produção de veículos no Brasil. O movimento faz parte da estratégia de expansão do complexo industrial da fabricante em Camaçari, na Bahia, que tem como meta alcançar 50% de conteúdo nacional nos veículos até janeiro de 2027. As informações foram divulgadas pelo site especializado AutoData, com base em declarações de Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da companhia.
A formação da rede de fornecedores é considerada uma das etapas necessárias para aumentar a participação de componentes fabricados no país e reduzir a dependência de itens importados. De acordo com os planos apresentados pela empresa, o complexo baiano deverá contar com 17 sistemistas principais. Essas companhias serão responsáveis pelo fornecimento de conjuntos e sistemas utilizados na montagem dos automóveis.
A homologação das empresas também está relacionada à preparação de novas etapas industriais em Camaçari, incluindo os processos de soldagem e estamparia. A ampliação dessas operações permite que uma parcela maior da fabricação das carrocerias seja realizada no Brasil, em vez de depender exclusivamente de peças e estruturas produzidas no exterior.
Na estamparia, chapas metálicas são moldadas para dar origem a diferentes partes da carroceria. Em seguida, a soldagem une esses componentes e forma a estrutura dos veículos. Já a pintura envolve as etapas de proteção e acabamento que antecedem a montagem final. A implantação dessas áreas, combinada à utilização de peças nacionais, será importante para o avanço do conteúdo produzido localmente.
A substituição de parte dos componentes importados por produtos fabricados no Brasil pode reduzir custos logísticos e tornar mais ágil o abastecimento da linha de montagem. A proximidade entre os fornecedores e a fábrica também tende a facilitar ajustes na produção de acordo com a demanda. Além disso, a estratégia ocorre antes da previsão de aumento de impostos que começa em janeiro, segundo o conteúdo divulgado.
Baldy também defendeu uma aproximação da BYD com o Sindipeças, entidade que representa a indústria de componentes automotivos. A intenção é ampliar a participação de empresas brasileiras na operação da fabricante. Segundo o executivo, a nacionalização é uma prioridade não apenas para atender ao mercado interno, mas também para criar condições para futuras exportações.
Complexo de Camaçari busca atrair empresas para a região
Outro eixo do projeto é estimular a instalação de fornecedores no entorno do complexo baiano. A concentração dessas empresas nas proximidades da fábrica pode encurtar o transporte de componentes e permitir entregas mais alinhadas ao ritmo da montagem dos veículos. Para a região, a iniciativa representa a possibilidade de ampliar a atividade industrial para além dos empregos diretamente ligados à BYD.
A fabricante estabeleceu como objetivo chegar a 50% de conteúdo nacional nos veículos até janeiro de 2027. Esse percentual, no entanto, é uma meta anunciada pela própria empresa. A reportagem não detalha qual é o índice atual de nacionalização nem informa a metodologia que será usada para calcular o conteúdo local.
A eletrificação também faz parte dos planos para Camaçari. Segundo as informações divulgadas, a unidade já realiza a montagem de conjuntos de baterias e a produção de motores elétricos. A nacionalização dessa cadeia, porém, envolve diferentes níveis de fabricação. A montagem do conjunto de baterias no Brasil não significa, necessariamente, que as células responsáveis pelo armazenamento de energia sejam produzidas localmente.
Baldy indicou que a BYD tem interesse em trazer mais tecnologia dessa cadeia para o país, embora tenha relacionado esse avanço a decisões que vão além da operação da fábrica. O executivo também descreveu o complexo baiano como um possível polo de desenvolvimento tecnológico e afirmou que a empresa quer transformar Camaçari no “Vale do Silício brasileiro”.
A exportação é outra frente prevista para a unidade. Conforme o relato de Baldy reproduzido pela AutoData, existe uma demanda anunciada de 50 mil veículos para a Argentina e de outros 50 mil para o México, todos com previsão de fabricação em Camaçari. A reportagem, entretanto, não informa um calendário para o início desses embarques.
No mercado brasileiro, a BYD já monta no país o Dolphin Mini, líder no segmento de veículos elétricos, além do Song Pro flex e do King. A empresa também iniciou a montagem do Atto 2 flex, ampliando a participação da fábrica baiana na produção de modelos destinados ao mercado nacional.








