Famílias de estudantes de escolas particulares de Belo Horizonte espalharam faixas pela cidade nesta segunda-feira (28), em uma mobilização que visa apoiar as reivindicações dos professores e cobrar a assinatura da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria. As mensagens, instaladas em pontos estratégicos próximos a instituições de ensino, ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT) e ao sindicato patronal, trazem frases como “Sinepe, assine a CCT. Nenhum direito a menos para quem ensina”, reforçando o apelo pela negociação e pelo reconhecimento dos direitos dos docentes.
A ação é organizada pelo Movimento das Famílias das Escolas Particulares, um grupo que surgiu de forma espontânea durante a paralisação dos professores iniciada em setembro. Segundo Rodrigo “Kiko” Torres, um dos integrantes do movimento e pai de dois estudantes, o grupo atualmente reúne cerca de 560 pessoas, envolvendo famílias de mais de 20 escolas diferentes na capital mineira. Em entrevista à reportagem da Itatiaia, Torres destacou que a mobilização é independente e não possui vínculo com sindicatos ou entidades patronais, reforçando sua postura apartidária e voltada à paz social.
Rodrigo explicou que parte das famílias já acompanhava as negociações da categoria desde março, quando tiveram início as discussões para a renovação da CCT. A greve dos professores, que teve início em 17 de setembro, motivou a criação do movimento, que busca atuar como uma voz de apoio às reivindicações dos docentes. Para os integrantes, a preocupação central não é apenas a possibilidade de uma nova greve, mas o que eles percebem como uma ameaça à manutenção dos direitos dos professores, que consideram essenciais para a qualidade do ensino oferecido aos seus filhos.
A valorização dos docentes, segundo o movimento, está diretamente relacionada à qualidade da educação. “São esses profissionais que estão dia a dia com nossos filhos, responsáveis pela formação acadêmica e pelo ensino formal”, afirmou Torres. Além disso, o grupo tem acompanhado de perto as negociações entre sindicatos, especialmente após a proposta do Sinepe-MG de dividir a CCT em duas partes distintas, uma para a educação básica e outra para o ensino superior, a partir de 2027. O sindicato patronal argumenta que essa divisão poderia enfraquecer a força de negociação dos professores, uma posição contrária ao posicionamento do Sindicato dos Professores de Minas Gerais (Sinpro-MG).
A decisão de espalhar as faixas ocorreu após uma audiência de conciliação no TRT, na qual representantes dos sindicatos participaram e tiveram espaço para se manifestar. Após o encontro, as famílias buscaram apoio de algumas escolas particulares, que manifestaram preocupação com o impasse e assinaram uma carta aberta em defesa dos direitos dos professores. Com esse respaldo, os pais decidiram levar a manifestação às ruas, instalando as faixas próximas a escolas e pontos relacionados às negociações, com o objetivo de pressionar as instituições a apoiarem a assinatura da convenção coletiva.
Desde o início da greve, em setembro, os professores das escolas particulares de Minas Gerais vêm reivindicando melhorias na CCT, que atualmente contempla docentes de diferentes níveis de ensino. A categoria suspendeu a paralisação em 22 de setembro, após uma assembleia, mas permanece em estado de greve, o que indica possibilidade de novas ações de protesto. Uma nova mobilização está prevista para novembro, quando o caso será julgado pelo TRT.
Durante a audiência de conciliação, o Sinepe-MG apresentou uma proposta de reajuste salarial de 3,77%, correspondente ao INPC, mas vinculou sua aceitação à divisão das negociações entre professores de educação básica e ensino superior a partir de 2027. O Sinpro-MG rejeitou a proposta, argumentando que a separação poderia comprometer direitos atualmente garantidos na convenção, como bolsas de estudos, isonomia salarial, férias coletivas e adicionais extraclasse.
Para os integrantes do Movimento das Famílias das Escolas Particulares, o debate vai além do aspecto trabalhista, refletindo uma preocupação maior com o impacto na qualidade da educação. Rodrigo Torres afirmou que os pais não desejam uma nova greve, mas consideram que o impasse nas negociações pode levar a uma paralisação, a qual eles veem como uma consequência direta do conflito. “Uma escola sem professores é apenas um prédio”, resumiu, reforçando o entendimento de que a valorização dos docentes é fundamental para garantir uma educação de qualidade para os estudantes.








