A cidade de Belo Horizonte inicia nesta sexta-feira, 3 de outubro, a sua participação na 36ª edição da Bienal de São Paulo, um dos mais relevantes eventos de arte contemporânea do Brasil. A mostra, que ficará em cartaz até 6 de dezembro, será exibida no Palácio das Artes, localizado no centro da capital mineira, e conta com a exibição de aproximadamente 80 obras produzidas por 21 artistas de diferentes origens e trajetórias. A entrada é gratuita, permitindo ao público amplo acesso às manifestações artísticas que abordam temas relacionados à memória, pertencimento, cuidado e transformação social.
A exposição, intitulada “Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática”, ocupa diversas galerias do complexo cultural, oferecendo uma experiência multifacetada por meio de linguagens variadas, incluindo pintura, fotografia, escultura, instalação, audiovisual e performance. A abertura oficial da mostra está marcada para esta quinta-feira, 2 de outubro, às 19h, e a visitação pública será permitida de terça a sábado, das 9h30 às 21h, e aos domingos, das 17h às 21h.
A curadoria, liderada por Alya Sebti e Leonardo Matsuhei, selecionou obras que exploram as relações entre pessoas, territórios e diferentes gerações, refletindo sobre experiências individuais e coletivas. O conceito central da exposição foi elaborado pelo curador Bonaventure Soh Bejeng Ndikung, em parceria com a equipe curatorial, inspirado no poema “Da calma e do silêncio”, da escritora mineira Conceição Evaristo. Assim, a mostra investiga a humanidade em movimento, os encontros e deslocamentos que moldam identidades e histórias, além de abordar questões relacionadas às heranças culturais, às crises ambientais e às experiências de povos africanos, afro-brasileiros e indígenas.
A seleção de obras reúne artistas de diversas regiões do Brasil e do mundo, incluindo nomes como Maria Auxiliadora, Gervane de Paula, Ming Smith, Nádia Taquary, Ruth Ige, Emeka Ogboh, Leiko Ikemura, Raven Chacon, Raukura Turei e Manauara Clandestina. Além disso, participam também Iggor Cavalera e Laima Leyton, em uma colaboração que integra música, território e ancestralidade, envolvendo ainda membros da comunidade indígena Etenhiritipa Xavante. Destacam-se, ainda, dois nomes ligados a Minas Gerais: Maria Auxiliadora, nascida em Campo Belo, e Iggor Cavalera, de Belo Horizonte.
Maria Auxiliadora, artista autodidata, é reconhecida por sua contribuição à arte afro-brasileira do século XX. Sua obra retrata cenas do cotidiano da população negra, além de referências às religiões de matriz africana, consolidando-se como uma das principais representantes do movimento artístico na região. Iggor Cavalera, conhecido por sua trajetória na música, participa da Bienal por meio de uma criação coletiva com Raven Chacon, Laima Leyton e integrantes da comunidade Xavante. A obra resulta de uma exploração sonora e rítmica que busca estabelecer uma conexão entre terra, vozes e ancestralidade, contando com a colaboração do cacique Cipassé Xavante, da aldeia Wederã, em Canarana, no Mato Grosso.
A passagem de Belo Horizonte pela itinerância nacional da 36ª Bienal de São Paulo constitui a maior circulação de obras e artistas nesta edição, que percorre 15 cidades brasileiras e três internacionais até 2026. Antes de chegar à capital mineira, a mostra passou por Belém, no Pará, e posteriormente será exibida em Vitória, no Espírito Santo. A parceria entre a Fundação Clóvis Salgado, responsável pelo Palácio das Artes, e a Fundação Bienal de São Paulo, que completa 15 anos de colaboração, garante a realização de mais uma edição da mostra na cidade, que participa do programa de itinerâncias desde 2011, agora na sua oitava participação consecutiva.
Além da exposição, o projeto oferece uma ampla programação educativa, com atividades na PQNA Galeria Pedro Moraleida, voltadas a diferentes públicos, incluindo visitas mediadas, palestras, sessões de filmes e encontros com professores. A iniciativa também prioriza acessibilidade, disponibilizando recursos como audioguia com audiodescrição, mapas táteis, guia em linguagem simples, descrição de imagens via aplicativo Bloomberg Connects, além de materiais em fonte ampliada e em Braille, para garantir o acesso de pessoas com diferentes necessidades.
Serviço:
Abertura oficial: 2 de outubro, às 19h
Período de exibição: de 3 de outubro a 6 de dezembro
Horários de visitação: terça a sábado, das 9h30 às 21h; domingos, das 17h às 21h
Local: Palácio das Artes – Avenida Afonso Pena, 1537, Centro, Belo Horizonte
Entrada: gratuita
Classificação indicativa: livre
Informações adicionais: (31) 3236-7400






