O Museu Histórico Abílio Barreto (MHAB) realiza, em 12 de novembro de 2026, uma palestra sobre a presença negra na formação de Belo Horizonte e o apagamento de territórios, espaços religiosos e referências culturais vinculados à população negra. O encontro será às 19h, no auditório do museu, com entrada gratuita, sem necessidade de inscrição prévia e emissão de certificado aos participantes.
Intitulada “Como reparar o irreparável? Do Rosário dos Pretos à Igreja das Santas Pretas: Afro-Patrimônio e Memória em Belo Horizonte (1807–2018)”, a atividade integra a programação do Mês da Consciência Negra. A palestra faz parte do evento “Novos Registros – Pesquisas sobre Belo Horizonte” e será conduzida pelo pesquisador Mauro Luiz da Silva.
A discussão terá como referência a pesquisa de doutorado defendida por Silva em 2022, no Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da PUC Minas. O estudo investiga como a presença negra participou da constituição social e cultural da capital mineira e analisa os mecanismos pelos quais determinados lugares, manifestações e práticas deixaram de ser reconhecidos nas narrativas oficiais sobre a cidade.
Antigo Largo do Rosário reunia fé, convivência e resistência
Um dos principais focos da pesquisa é a Capela de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos e o cemitério associado ao templo. Os dois espaços pertenciam à Irmandade dos Homens Pretos e estavam situados no antigo Largo do Rosário, área que existia antes da construção da nova capital de Minas Gerais.
Segundo o levantamento, o local ultrapassava a função religiosa. O antigo Largo do Rosário também era um espaço de convivência, organização comunitária e resistência da população negra. A capela e o cemitério integravam, portanto, uma rede de referências que ajudava a estruturar a vida social e espiritual dessa comunidade na região.
Para reconstituir a localização e a importância histórica desses lugares, a investigação utilizou fontes de diferentes naturezas. Foram examinados mapas, documentos elaborados pela Comissão Construtora da Nova Capital, registros eclesiásticos e relatos obtidos por meio da história oral. A combinação desses materiais permitiu reunir informações sobre a ocupação do território e sobre as formas de organização da população negra antes e durante os processos de transformação urbana de Belo Horizonte.
Manifestações culturais preservam referências do espaço desaparecido
A capela não existe mais fisicamente, mas os significados associados ao lugar permanecem em práticas religiosas e culturais. A pesquisa identifica essa continuidade em manifestações como Congados, Reinados e devoções populares presentes na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
O estudo também estabelece uma relação com a Igreja das Santas Pretas, situada na Vila Estrela e inaugurada em 2018. A aproximação entre esse templo contemporâneo e o antigo conjunto formado pela Capela de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos e pelo cemitério permite observar a permanência de referências negras em diferentes momentos da história da cidade.
Essa análise fundamenta o debate sobre o conceito de afro-patrimônio, utilizado para reconhecer bens, territórios, práticas, memórias e referências culturais negras que foram historicamente excluídos ou tiveram pouca visibilidade nas políticas oficiais de preservação. A palestra também aborda os efeitos do desaparecimento físico de espaços religiosos e a continuidade de suas memórias por meio de manifestações culturais.
Ao discutir o intervalo histórico entre 1807 e 2018, a atividade propõe uma reflexão sobre o direito à memória, a reparação simbólica e o reconhecimento da participação negra na construção social e cultural de Belo Horizonte.
Serviço
Evento: Novos Registros – Pesquisas sobre Belo Horizonte
Palestra: “Como reparar o irreparável? Do Rosário dos Pretos à Igreja das Santas Pretas: Afro-Patrimônio e Memória em Belo Horizonte (1807–2018)”
Palestrante: Mauro Luiz da Silva
Data: 12 de novembro de 2026, quinta-feira
Horário: 19h
Local: Auditório do Museu Histórico Abílio Barreto (MHAB), na Avenida Prudente de Morais, 202, bairro Cidade Jardim, em Belo Horizonte
Entrada: gratuita, sem inscrição prévia, com emissão de certificado
Informações: (31) 3277-4665 ou [email protected]








