Fotos históricas relacionadas ao enigmático personagem Tatunca Nara ajudam a esclarecer aspectos do caso que envolve uma suposta cidade subterrânea na Amazônia, o assassinato de um jornalista e o desaparecimento de três turistas estrangeiros. A narrativa, que mistura mistério e investigações não conclusivas, é retomada na série documental “Morte e Mistério na Amazônia”, lançada na HBO Max em 10 de outubro.
As imagens disponíveis incluem registros de lápides da época de Tatunca, além de fotos de sua juventude e de sua aparência atual na região amazônica. Entre os registros, destacam-se comparações de seu rosto antes e depois de adotar o nome Tatunca Nara, além de imagens dele ao lado de mulheres, refletindo diferentes fases de sua vida. Essas fotos contribuem para a compreensão do personagem, cuja história se mistura à lenda de Akakor, uma cidade perdida supostamente escondida na floresta amazônica.
Tatunca Nara chegou ao Brasil por volta de 1966, apresentando-se como descendente do povo Ugha Mongulala, alegando que essa etnia teria habitado a região há aproximadamente 15 mil anos. Seus relatos despertaram interesse e deram origem à narrativa de Akakor, uma cidade perdida que estaria ocultada na floresta. A história chamou a atenção do jornalista alemão Karl Brugger, que conheceu Tatunca e registrou suas versões no livro “A Crônica de Akakor”. No entanto, a verdadeira identidade do informante foi posteriormente questionada, pois Tatunca Nara é, na realidade, Hans Günther Hauck, nascido em 5 de outubro de 1941 na Alemanha.
Brugger dedicou anos à investigação da existência de Akakor, mas foi assassinado antes de concluir suas apurações. Em 1º de janeiro de 1984, ele foi baleado em Ipanema, no Rio de Janeiro, em um crime nunca oficialmente solucionado. Além disso, Tatunca Nara passou a ser apontado como suspeito pelo desaparecimento de três turistas estrangeiros — John Reed, Christine Heuser e Herbert Wanner — que teriam viajado à região em busca da cidade perdida. Apesar das suspeitas, ele nunca foi formalmente acusado pelos desaparecimentos ou pelo assassinato de Brugger.
A série “Morte e Mistério na Amazônia” contou com a participação de Tatiana Issa e Guto Barra, responsáveis pela produção. A equipe conseguiu entrevistar Tatunca na residência onde vive na floresta e registrou sua versão dos acontecimentos. Tatiana Issa relata que a entrevista revelou reações distintas entre os membros da equipe diante das declarações do entrevistado. Segundo ela, alguns acreditam nas mentiras, outros demonstram dó, enquanto há aqueles que questionam a veracidade de suas afirmações, incluindo a hipótese de que ele teria envolvimento na morte de Brugger.
A diretora destacou que a gravação foi uma das experiências mais desafiadoras de sua carreira, devido à manipulação constante de Tatunca Nara durante a entrevista. Ela relata que o homem é extremamente habilidoso em driblar perguntas e manipular a narrativa, o que gerou uma atmosfera de ameaça. A equipe chegou a ser ameaçada na cidade, tendo que deixar o local às pressas para escapar de possíveis represálias, uma situação que Tatiana Issa descreve como perigosa, pois o entrevistado criou uma figura mística de perigo ao seu redor, dificultando o trabalho e colocando os envolvidos em risco.







