Alexandre Tomé de Melo, de 76 anos, iniciou uma campanha para arrecadar R$ 40 mil e viabilizar a compra de uma prótese, além do tratamento de reabilitação e dos deslocamentos necessários durante o processo. Morador de Belo Horizonte, em Minas Gerais, ele teve a perna esquerda amputada acima do joelho há cerca de três meses, após complicações relacionadas ao diabetes. Conhecido por atuar como Papai Noel há 11 anos, o aposentado espera recuperar parte da mobilidade e voltar a participar das atividades natalinas.
O problema começou com um ferimento no pé esquerdo. Ao buscar atendimento médico, Alexandre descobriu que a lesão já apresentava necrose. Foram realizados procedimentos na tentativa de impedir o avanço do quadro, mas a situação se agravou e a equipe médica precisou fazer a amputação acima do joelho.
Desde então, ele utiliza cadeira de rodas para se locomover. A adaptação à nova rotina é dificultada pelas condições do imóvel onde vive: o apartamento não tem elevador, e Alexandre precisa enfrentar dezenas de degraus para sair de casa e chegar às consultas. Dentro da residência, tarefas simples também se tornaram mais difíceis. Segundo ele, já houve quedas durante as tentativas de se movimentar.
“Sentir que eu não tenho uma perna, andar numa cadeira de roda igual eu estou, e não fazer o meu Papai Noel que eu adoro é muito triste. Sinto muita falta”, afirmou Alexandre ao descrever o impacto da amputação.
Atuação no Natal começou há 11 anos
Alexandre passou a trabalhar como Papai Noel há 11 anos, inicialmente em uma ação que percorreu 22 cidades do Vale do Aço. Mais tarde, ele atuou em shoppings de Belo Horizonte e de municípios da região metropolitana. A convivência com as crianças se tornou uma das principais razões para que continuasse desempenhando o personagem ao longo dos anos.
Durante esse período, o aposentado ouviu pedidos que ultrapassavam os presentes e as fotografias tradicionais. Algumas crianças perguntavam se o Papai Noel poderia trazer de volta o pai ou a mãe. Os relatos ficaram guardados na memória de Alexandre e mostram, segundo a trajetória descrita por ele, a dimensão afetiva dos encontros com as famílias.
O trabalho nas temporadas de Natal também ajudava a complementar a aposentadoria. Para Alexandre, porém, a atividade tinha um significado maior do que o financeiro. Ele afirma que ser Papai Noel se tornou uma razão para viver e que deseja recuperar a autonomia para voltar a circular e reencontrar os amigos.
“Era tudo para mim ser Papai Noel. Com a prótese poderei ir em qualquer lugar, posso interagir com meus amigos, ir no supermercado para fazer uma compra, quem sabe voltar a fazer o que amo”, disse.
Amiga organiza arrecadação
A campanha foi criada por Josiane Batista, veterinária e amiga de Alexandre. Eles se conheceram em um shopping, quando ela tentou realizar o desejo da filha de tirar uma fotografia com a cachorrinha da família ao lado do Papai Noel. O animal estava agitado e não aceitava se aproximar de pessoas desconhecidas.
Com paciência, Alexandre conseguiu ganhar a confiança da cachorrinha e fazer o registro. Em outra ocasião, Josiane voltou ao shopping acompanhada do sobrinho autista, que também tinha dificuldade para se aproximar do personagem. Mais uma vez, a maneira carinhosa utilizada por Alexandre facilitou o encontro e permitiu que a família realizasse a fotografia. A partir dessas experiências, os dois se tornaram amigos.
Ao procurar Alexandre para saber em qual local ele trabalharia naquele ano, Josiane descobriu que ele havia sido internado e passado pela amputação. Ela decidiu organizar a arrecadação por considerar que o Papai Noel havia proporcionado momentos de alegria a muitas famílias.
“Ele sempre levou a magia do Natal, sempre levou alegria para muitas famílias, igual no caso da minha. E agora eu sinto que é a gente que precisa levar essa magia, essa alegria do Natal para ele”, declarou Josiane.
De acordo com a veterinária, uma prótese pode custar aproximadamente R$ 20 mil, dependendo do modelo. A meta de R$ 40 mil foi estabelecida para permitir a aquisição de um equipamento mais durável e também cobrir despesas com fisioterapia e transporte durante a reabilitação.
Enquanto a campanha busca alcançar o valor necessário, Josiane tenta encontrar uma oportunidade para que Alexandre participe de atividades natalinas mesmo usando a cadeira de rodas. Alguns estabelecimentos já foram procurados, mas ainda não havia confirmação de contratação.
Mesmo afastado do trabalho, Alexandre mantém a barba que se tornou uma de suas marcas como Papai Noel. Segundo Josiane, a principal ausência sentida por ele é o contato com as crianças e a convivência construída com as famílias durante os 11 anos de atuação.
As contribuições podem ser feitas por Pix, por meio de uma conta aberta exclusivamente para receber as doações. Também foi criado um perfil no Instagram para divulgar a história de Alexandre e a campanha. Os dados da conta e o endereço do perfil não foram informados no conteúdo original.








