Uma criança de sete anos morreu na manhã desta quarta-feira, 12 de agosto, após engasgar-se com feijão tropeiro durante o horário de almoço na Escola Municipal Bruna Diniz Patrocínio Alves, localizada no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A tragédia ocorreu no momento em que a menina, identificada como Emanuelly, estava na escola, e a Secretaria Municipal de Educação divulgou que ela não precisava de um profissional de apoio durante as refeições, uma informação que contrasta com relatos de familiares e acompanhantes.
Durante coletiva de imprensa, a secretária de Educação do município, Dolores Kicila, esclareceu que Emanuelly, que tinha diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) de nível 1 de suporte, era considerada uma estudante autônoma e independente na rotina escolar. Segundo ela, o suporte pedagógico recebido pela criança era voltado ao desenvolvimento educacional, e não um suporte de “vida cotidiana” ou assistência durante as refeições. Kicila afirmou que os profissionais de apoio estavam presentes na escola e que a pessoa que acompanhava Emanuelly no momento do incidente foi quem acionou a unidade de saúde próxima, correndo até o posto de saúde para solicitar ajuda. A secretária reforçou que, em geral, crianças que necessitam de apoio durante as refeições são aquelas que precisam de assistência contínua, o que não era o caso de Emanuelly.
Ao ser questionada se algum profissional acompanhava especificamente a alimentação da menina, Kicila afirmou que Emanuelly era acompanhada por vários profissionais presentes no refeitório, mas que ela nunca precisou de alimentação especial ou de apoio durante as refeições, sendo considerada uma criança autônoma. Ela também destacou que os primeiros socorros foram prestados de forma imediata na escola, e que a unidade de saúde foi acionada prontamente.
Entretanto, uma amiga da família, Adrielia Aguiar, criticou a ausência de um profissional de apoio durante o almoço, afirmando que toda criança autista tem direito a esse suporte. Ela declarou que a falta dessa assistência teria contribuído para o desfecho trágico, alegando que a escola deveria ter a obrigação de garantir esse acompanhamento para evitar acidentes. Segundo ela, Emanuelly não tinha noção do tamanho ou da consistência do alimento que consumia, o que reforça a necessidade de apoio especializado durante as refeições. A acompanhante também responsabilizou a Secretaria de Educação e a prefeitura pela ausência de profissionais de apoio, apontando que essa deficiência na estrutura escolar é uma falha recorrente.
A Secretaria de Educação de Ribeirão das Neves informou ainda que a prefeitura está oferecendo assistência à família da criança e que um processo investigativo foi instaurado para apurar as circunstâncias do incidente. Dolores Kicila afirmou que a equipe esteve com os familiares ao longo do dia e que aguarda os laudos técnicos para compreender exatamente o que ocorreu.
Segundo a nota oficial da prefeitura, Emanuelly apresentou um “mal-estar nas dependências da escola”. Os funcionários do colégio prestaram os primeiros socorros, realizando as manobras indicadas, enquanto equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram acionadas. A chegada do Samu ao local ocorreu aproximadamente 15 minutos após o chamado, e as equipes permaneceram por cerca de 40 minutos realizando manobras de reanimação. Apesar dos esforços, a criança não resistiu e veio a óbito no local.
A administração municipal manifestou solidariedade à família e à comunidade escolar, além de informar que foi aberta uma sindicância administrativa para apurar as causas do episódio. A tragédia evidencia a discussão sobre a necessidade de apoio especializado para alunos com TEA e reforça a importância de protocolos de segurança durante as refeições em escolas públicas.








