Um incidente envolvendo uma discussão entre vizinhos por causa de um cachorro resultou em ferimentos graves na Região Nordeste de Belo Horizonte, na manhã de quarta-feira. O episódio ocorreu na Rua Morro de São Paulo, no bairro Santa Cruz, e envolveu um bancário de 33 anos, que alegou agir em legítima defesa durante a confusão. Segundo relato do homem, seu pai, de 65 anos, utilizou um cutelo com capa para tentar se defender de uma ameaça de um rapaz desconhecido, momento em que uma vizinha, que tentou intervir, acabou sofrendo um corte no rosto, ficando com o lado direito da face desfigurado.
De acordo com o boletim de ocorrência registrado pela Polícia Militar, o bancário afirmou residir no bairro desde abril deste ano e que costuma passear com seu cachorro para evitar que o animal faça necessidades dentro de casa. Ele explicou que, para isso, utiliza sacolas para recolher os dejetos do animal e que, por causa de muitos cachorros de rua na região, passou a desviar seu trajeto há cerca de dois meses, após ser alvo de provocações de alguns vizinhos.
Na manhã do incidente, o homem relatou que saiu com o cachorro e se deparou com alguns vizinhos bebendo na frente de suas casas. Segundo ele, foi então que começou a ser provocado por eles. Ainda de acordo com seu relato, ele tentou evitar o conflito, mostrando a sacola e afirmando que recolhia os dejetos do animal. No entanto, uma mulher, que ele afirmou não conhecer pessoalmente, passou a atacá-lo com spray de pimenta, atingindo também seu pai. Em seguida, um homem presente na cena teria ameaçado o bancário com um pedaço de pau.
Ao perceber a ameaça, o homem afirmou que entrou em sua residência, pegou o cutelo com capa e o segurou para se proteger. Segundo ele, o pai tentou usar o cutelo para afastar o agressor, mas a mulher que o acompanhava entrou na frente, sendo atingida por um golpe na face. O bancário afirmou que o cutelo estava com a bainha, e que não tinha intenção de ferir alguém, alegando que a ação foi uma tentativa de defesa diante da agressão. Ele também ressaltou que, se tivesse tido a intenção de causar dano grave, teria agido de forma diferente.
O homem relatou ainda que possui um boletim de ocorrência por ameaça anterior relacionada aos passeios com seu cachorro e que, nesta ocasião, agiu sob sensação de ameaça e de estar acuado. Ele afirmou que seu objetivo ao pegar o cutelo era apenas demonstrar que estava armado para se defender, não de ferir alguém. Segundo ele, a confusão se iniciou por provocações e agressões por parte dos vizinhos, e que a vítima, que ficou com o rosto desfigurado, não era o alvo principal, mas acabou sendo atingida por estar na frente do agressor.
Sobre o estado da vítima, o boletim de ocorrência informa que ela ficou com o rosto desfigurado devido ao golpe recebido. O bancário, por sua vez, defende que a intenção não foi ferir a mulher, alegando que ela entrou na frente dele e que o golpe não atingiu a lâmina do cutelo, pois ele estava com a bainha. Ele também afirmou estar arrependido pelo ocorrido, destacando que agiu de forma impulsiva e que, na hora, não compreendeu a gravidade da situação.
O suspeito declarou que nunca foi preso e que trabalha como bancário em Belo Horizonte, pagando suas contas há mais de dez anos na cidade. Ele afirmou que, após mudar-se para o bairro há alguns meses, tem enfrentado dificuldades relacionadas à convivência com outros moradores e seus cachorros. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil, que busca esclarecer todos os detalhes do episódio e determinar as responsabilidades envolvidas.









