Trabalhadores responsáveis pela manutenção do Hospital João XXIII, localizado no bairro Santa Efigênia, na região centro-sul de Belo Horizonte, realizaram uma manifestação nesta terça-feira (15) para denunciar atrasos no pagamento de salários e benefícios. A mobilização ocorreu em meio a preocupações crescentes entre os funcionários, que alegam estar sem receber não apenas seus vencimentos, mas também benefícios essenciais, como vale-alimentação e vale-refeição, além de depósitos referentes ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
De acordo com relatos enviados à reportagem da Itatiaia por um dos trabalhadores, que preferiu não se identificar, a situação de atraso tem afetado diversos colaboradores, incluindo aqueles que atuam na manutenção do hospital. O trabalhador destacou que, além dos salários em atraso, muitos estão sem acesso a benefícios básicos, o que compromete suas condições de trabalho e de vida. Ele também apontou que os depósitos do FGTS, uma obrigação legal das empresas, estão atrasados, agravando ainda mais a situação dos funcionários.
Outro aspecto preocupante mencionado pelo trabalhador é a falta de materiais essenciais para a realização das atividades de manutenção. Segundo ele, a empresa responsável pelos serviços não estaria fornecendo os insumos necessários, o que tem dificultado a execução de tarefas básicas de reparo e manutenção nas instalações do hospital. Imagens enviadas à reportagem ilustram a situação precária do sistema elétrico do local, com tomadas e lâmpadas danificadas, evidenciando a negligência na conservação dos equipamentos.
A Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), que gerencia o hospital, emitiu uma nota oficial esclarecendo que os trabalhadores protestantes não são ligados diretamente à Fundação, mas sim a uma empresa contratada por meio de licitação. A entidade afirmou que mantém seus pagamentos em dia e realiza fiscalização contínua sobre o contrato de manutenção. Segundo a nota, a responsabilidade pelo pagamento de salários, benefícios, férias e encargos trabalhistas recai exclusivamente sobre a empresa contratada, que deve cumprir todas as obrigações legais e contratuais com seus empregados.
A Fhemig garantiu ainda que está em contato com a empresa responsável e que adotará as medidas cabíveis previstas no contrato, caso a situação de atraso persista. A reportagem da Itatiaia tenta contato com a empresa de manutenção para obter uma manifestação oficial, mas até o momento não houve retorno.
A manifestação dos trabalhadores evidencia uma crise na gestão de contratos de manutenção em unidades de saúde públicas, que pode impactar a operação do hospital e a qualidade do atendimento aos pacientes. A situação reforça a necessidade de fiscalização rigorosa e de ações que garantam os direitos trabalhistas dos funcionários envolvidos na manutenção de serviços essenciais.







