Belo Horizonte foi classificada em situação de risco médio para a presença do mosquito Aedes aegypti, responsável pela transmissão da dengue, da chikungunya e da zika. O resultado faz parte do Levantamento Rápido de Índices para o Aedes aegypti (LIRAa) de 2026, elaborado pela Prefeitura de Belo Horizonte após a vistoria de aproximadamente 53 mil imóveis na capital. Em 2,4% das propriedades avaliadas foram encontradas larvas do mosquito.
A classificação segue a metodologia adotada pelo Ministério da Saúde. De acordo com os parâmetros oficiais, percentuais inferiores a 1% indicam baixo risco. Os índices de 1% a 3,9% correspondem à situação de risco médio, enquanto resultados iguais ou superiores a 4% representam alto risco de infestação. Assim, embora o índice geral de Belo Horizonte esteja abaixo do limite considerado alto, o município permanece em uma faixa que exige ações de vigilância e prevenção.
O levantamento mostrou ainda que a maior parte dos focos identificados estava dentro das residências. Cerca de 83% das larvas foram encontradas em imóveis domiciliares, principalmente em pratinhos de plantas, recipientes usados pelos moradores, barris e tambores. Esses objetos podem reter água parada e se transformar em locais adequados para a reprodução do Aedes aegypti.
Entre as regiões analisadas, a Pampulha apresentou o percentual mais elevado. Larvas foram localizadas em 3,5% dos imóveis vistoriados na área, índice que também se enquadra na faixa de risco médio estabelecida pelo Ministério da Saúde. O LIRAa é realizado todos os anos nas regionais de Belo Horizonte e serve para orientar a definição das estratégias da Secretaria Municipal de Saúde.
Com base nos dados, as equipes de vigilância conseguem identificar os locais com maior concentração de criadouros e direcionar ações de controle. A subsecretária de Promoção e Vigilância à Saúde, Thaysa Drummond, afirmou que o levantamento é importante para estabelecer as áreas que devem receber atenção prioritária. Segundo ela, a participação dos moradores é indispensável e a prevenção precisa ser mantida de maneira permanente.
Thaysa Drummond também destacou que a eliminação de possíveis criadouros pode ser feita em poucos minutos por semana. A recomendação da subsecretária é que os moradores reservem dez minutos semanalmente para verificar recipientes, eliminar a água acumulada e reduzir as condições favoráveis à proliferação do mosquito.
Estado se prepara para possível nova epidemia em 2027
A divulgação do LIRAa ocorre em um cenário de alerta em Minas Gerais diante da possibilidade de uma nova epidemia de dengue em 2027. O secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, informou que o governo estadual trabalha com essa hipótese e prepara a rede de saúde para um eventual aumento de casos.
De acordo com o secretário, as arboviroses costumam apresentar ciclos epidêmicos de três anos. O último grande surto ocorreu em 2024, quando Minas Gerais registrou a maior epidemia de dengue de sua história, com mais de 1,6 milhão de contaminações e mais de mil mortes.
Baccheretti ressaltou que a retirada de materiais que acumulam água dentro das casas está entre as principais formas de prevenção. Conforme o secretário, entre 80% e 90% dos focos do mosquito geralmente estão localizados no interior dos imóveis. O Estado utiliza agentes descentralizados e drones para localizar caixas-d’água sem tampa e áreas com acúmulo de lixo, mas a estratégia também depende da responsabilidade dos moradores e da atuação conjunta da sociedade.
Município mantém fiscalização e controle ao longo do ano
A Prefeitura de Belo Horizonte afirma que as medidas de combate ao Aedes aegypti não ficam restritas ao período de maior circulação das doenças. Ao longo de todo o ano, os Agentes de Combate a Endemias visitam imóveis, orientam a população, explicam os riscos relacionados à água parada e ajudam a eliminar criadouros. Quando necessário, também aplicam biolarvicidas.
Em 2026, as equipes municipais já realizaram mais de 3,4 milhões de vistorias na capital. O trabalho inclui ainda a aplicação de inseticida por Ultra Baixo Volume (UBV), técnica voltada para o controle dos mosquitos adultos. Neste ano, esse tipo de ação alcançou aproximadamente 9 mil imóveis.
Outra ferramenta utilizada pela prefeitura é a ovitrampa. Belo Horizonte possui mais de 1,8 mil armadilhas desse tipo, desenvolvidas para simular condições favoráveis à reprodução do Aedes aegypti e atrair as fêmeas por meio de substâncias específicas. Os equipamentos permitem acompanhar a circulação do mosquito e apontar regiões que podem precisar de reforço nas ações de vigilância e controle.







