Mais de 2,5 mil pessoas que tinham mandados de prisão em aberto foram localizadas e presas pela Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) desde o início de 2025 com auxílio de câmeras equipadas com tecnologia de reconhecimento facial. Entre os casos identificados, aproximadamente 70% estão relacionados a crimes como tráfico de drogas, roubo, furto, homicídio, estupro e ameaça.
A ferramenta passou a apoiar o patrulhamento ostensivo ao integrar a captação de imagens em vias públicas com os sistemas de informação da corporação. As câmeras registram as pessoas que circulam pelos locais monitorados e encaminham as imagens, em tempo real, para uma central. Nesse ambiente, os registros são comparados com os dados disponíveis, incluindo informações sobre indivíduos procurados pela Justiça.
Quando é apontada uma possível correspondência, o sistema envia um alerta para as equipes que estão em atividade nas ruas. A partir daí, os policiais se deslocam para realizar a abordagem. Antes da prisão, são feitas a confirmação da identidade da pessoa e a verificação da situação judicial, procedimento necessário para validar a ocorrência.
Alerta levou policiais a homem com sete mandados
Um dos resultados do uso da tecnologia ocorreu em maio deste ano, na rua Curitiba, na região central de Belo Horizonte. Um alerta emitido pelo sistema levou policiais militares até um homem que passava pela via. Durante a abordagem, os agentes confirmaram que ele era procurado pela Justiça do Distrito Federal.
Segundo a PMMG, havia sete mandados de prisão em aberto contra o homem. Somadas, as penas previstas nos documentos ultrapassavam 40 anos de prisão. O episódio é considerado pela corporação um exemplo de como o reconhecimento facial pode acelerar a localização de pessoas procuradas durante o policiamento realizado em áreas públicas.
Para o major Renato Farina Barreto, gestor de Pesquisa e Projetos da Diretoria de Tecnologias e Sistemas da Polícia Militar, a principal contribuição da ferramenta está na velocidade com que a informação chega aos agentes. “A tecnologia reduz o intervalo entre a identificação e a atuação policial. O alerta chega à equipe que está no patrulhamento, que faz a abordagem e verifica a situação. É uma ferramenta que complementa o trabalho que o policial já realiza diariamente nas ruas”, afirmou.
Projeto foi ampliado após fase de testes
O reconhecimento facial começou a ser utilizado pela PMMG em um projeto piloto, inicialmente com uma quantidade reduzida de câmeras. Ao longo de 20 meses, o sistema foi ampliado e passou a ser empregado em diferentes situações de policiamento.
Desenvolvido pela própria Polícia Militar, o recurso também pode ser transferido para outras regiões e utilizado em grandes eventos. A estrutura não depende exclusivamente de equipamentos instalados de forma permanente: pode incluir dispositivos móveis dotados de câmeras integradas à tecnologia, como drones e o cão robô adquirido recentemente pela corporação.
Essa possibilidade permite que o sistema seja empregado conforme a necessidade de cada operação, sem que seja preciso montar uma estrutura fixa em todos os locais monitorados. De acordo com o major Renato Farina Barreto, a tecnologia também consegue reconhecer uma pessoa mesmo quando parte do rosto está coberta. O funcionamento pode ocorrer em situações nas quais o indivíduo esteja usando óculos, chapéu ou boné.
Maioria dos mandados está ligada a crimes
Do total de prisões realizadas com o apoio do reconhecimento facial, cerca de 17% estão relacionadas a mandados expedidos por falta de pagamento de pensão alimentícia. A maior parcela, aproximadamente 70%, envolve ordens judiciais ligadas a crimes como tráfico de drogas, roubo, furto, homicídio, estupro e ameaça.
Para aumentar a quantidade de imagens disponíveis e ampliar o alcance do monitoramento, a PMMG mantém aberto um chamamento público. A iniciativa prevê a integração de câmeras instaladas em estações de ônibus, rodoviárias, estações de metrô e unidades de saúde.
O projeto também contempla equipamentos pertencentes a empresas privadas responsáveis pelo monitoramento de locais de circulação pública, entre eles shoppings, supermercados e drogarias. A integração dessas câmeras ao sistema da corporação é apresentada como uma forma de expandir a rede de identificação de pessoas com mandados em aberto.
Com informações da Agência Minas.







