O DJ Kassio Fernando dos Santos Ragazzi, acusado de tentativa de feminicídio contra sua ex-namorada de 22 anos, será submetido a júri popular nesta terça-feira (15), em Belo Horizonte. A decisão foi tomada após a Justiça aceitar a denúncia do Ministério Público, que aponta o crime como tentativa de homicídio qualificado, com as qualificadoras de motivo torpe, meio cruel, recurso que dificultou a defesa da vítima e feminicídio, em contexto de violência doméstica. Kassio permanece preso preventivamente desde o dia do crime, ocorrido na madrugada de 30 de julho de 2024, no bairro Jardim Felicidade, na região Norte da capital mineira.
O ataque aconteceu dentro da residência da vítima, com quem Kassio havia mantido um relacionamento amoroso. Segundo a denúncia, o acusado não aceitou o término do relacionamento e invadiu a casa da ex-companheira com a intenção de manter relação sexual. Ao ser rejeitado, conforme relato do Ministério Público, Kassio passou a agredir a mulher de forma brutal, imobilizando-a contra uma parede e desferindo socos, mordidas e batendo sua cabeça contra a parede. Durante o ataque, que durou vários minutos, o acusado teria introduzido a mão na região genital da vítima de maneira violenta, causando graves lesões e intenso sangramento, levando a mulher a relatar que teve a impressão de que Kassio tentava arrancar seu útero.
Testemunhas relataram que Kassio teria dito à vítima: “Se você não for minha, não será de mais ninguém”, durante o episódio de violência. Após as agressões, o acusado deixou o local sem prestar socorro à vítima, que permaneceu na residência sangrando e à beira da inconsciência. A filha de três anos da vítima, que também estava na casa no momento, permaneceu em outro cômodo e não foi vítima de agressões, segundo informações da Polícia Civil. A perícia realizada no imóvel constatou grande quantidade de sangue, e exames médicos, boletins de ocorrência e outros elementos foram utilizados na investigação para comprovar a materialidade do crime.
Kassio foi preso em flagrante no mesmo dia do ataque e, posteriormente, teve sua prisão convertida em preventiva em 1º de agosto de 2024. Durante as investigações, ele negou as acusações de abuso sexual e alegou que o episódio envolveu uma briga entre ele e a ex-companheira. A decisão judicial que determinou o julgamento pelo júri destacou a existência de indícios suficientes de autoria e provas concretas do materialidade do crime, cabendo agora aos jurados decidir se Kassio é culpado ou inocente das acusações. A sentença reforça a gravidade do comportamento do acusado, considerado possessivo, ameaçador e opressor, além de manter as medidas protetivas concedidas à vítima, em consonância com o contexto de violência doméstica.









