Um homem acusado de estuprar e matar a universitária Vanessa Lara de Oliveira, de 23 anos, será submetido a júri popular nesta quarta-feira (30), na cidade de Juatuba, localizada na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Antes do início do procedimento judicial, familiares da vítima planejam realizar uma manifestação em frente ao fórum local, prevista para começar às 8h30, como forma de protesto e reivindicação por justiça.
Ítalo Jefersson da Silva responde por homicídio qualificado por meio cruel e para assegurar a execução, ocultação, impunidade ou vantagem de outro crime, além de estupro e ocultação de cadáver. A sessão será conduzida pela juíza Alina Tereza de Mattos Azevedo, da Vara Única da Comarca de Juatuba.
Vanessa Lara de Oliveira, estudante do sétimo período de Psicologia, desapareceu em 9 de fevereiro de 2026, após deixar o trabalho no Sistema Nacional de Emprego (Sine) em Juatuba. Imagens de câmeras de segurança mostram a jovem caminhando em direção a um ponto de ônibus na BR-262, trajeto que ela realizava diariamente entre sua residência em Pará de Minas, na Região Centro-Oeste de Minas Gerais, e a cidade onde estudava.
O corpo de Vanessa foi localizado no dia seguinte, em uma área de vegetação na cidade de Juatuba. A vítima apresentava sinais de violência sexual e estrangulamento, além de estar sem roupas. A descoberta foi feita por um fotógrafo que auxiliava nas buscas, ao sobrevoar a região com um drone. As investigações apontam que ela foi abordada por Ítalo Jefersson enquanto caminhava sozinha, sendo seguida por ele até um local ermo, onde foi agredida, violentada e asfixiada até a morte. Segundo a denúncia do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), Vanessa não tinha qualquer relação prévia com o acusado, que, na época do crime, já cumpria pena em regime de prisão domiciliar.
Ítalo Jefersson havia cumprido 23 anos, 11 meses e 19 dias de prisão e estava fora do sistema prisional desde 20 de dezembro de 2025, após uma decisão monocrática do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que o absolveu de uma condenação por tráfico de drogas, permitindo sua progressão de regime. Segundo o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), ele possuía condenações por quatro roubos, três estupros, atentado violento ao pudor, furto e resistência, totalizando uma pena de 38 anos, 10 meses e 29 dias.
No momento do crime, Ítalo estava em regime de prisão domiciliar, mas foi preso novamente dois dias após o homicídio, em 12 de fevereiro, na cidade de Carmo do Cajuru, na Região Centro-Oeste de Minas. A captura ocorreu após uma tentativa de fuga, quando ele foi localizado entre os vagões de um trem de carga e tentou fugir a pé ao perceber a presença dos policiais militares. Durante a abordagem, os agentes encontraram com ele uma sacola com roupas e uma faca.
Familiares de Vanessa relataram que, no dia do crime, Ítalo apresentava-se sujo de barro, com lesões e arranhões pelo corpo, além de marcas de sangue nas roupas.
Vanessa Lara de Oliveira era conhecida por amigos e professores como uma jovem dedicada, estudiosa e tranquila, com o sonho de atuar na área de recursos humanos. Seu corpo foi velado em Pará de Minas e posteriormente sepultado no distrito de Antunes.
Em maio de 2026, a Justiça de Minas Gerais determinou que a concessionária responsável pela BR-262 pagasse uma pensão mensal de R$ 1.562,09 à mãe da vítima, devido às falhas na manutenção da rodovia. A decisão considerou que a vegetação densa na região obrigava pedestres a utilizarem um caminho improvisado, aumentando o risco de incidentes e contribuindo para a vulnerabilidade de Vanessa no momento do crime.









