Indígenas da Aldeia Katurãma realizaram nesta quinta-feira, 13 de agosto, um protesto pacífico na sede administrativa da mineradora Vale, localizada em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A manifestação, que contou com a participação de 63 membros da comunidade, tem como objetivo pressionar a empresa por uma realocação definitiva para um território adequado e por reparações integrais, em decorrência do rompimento da barragem de Brumadinho, ocorrido em 25 de janeiro de 2019.
A Aldeia Katurãma foi formada em 2021 por indígenas dos povos Pataxó e Pataxó Hã-hã-hãe, que deixaram a Aldeia Naô Xohã após a tragédia na mina Córrego do Feijão, na cidade de Brumadinho, na Grande Belo Horizonte. Desde então, a comunidade, composta por 147 integrantes, incluindo crianças e adultos, passou a residir na Mata do Japonês, em São Joaquim de Bicas, também na região metropolitana. A reivindicação por uma solução definitiva surge após anos de negligência e dificuldades enfrentadas pela comunidade, incluindo a falta de água potável por mais de seis dias, além de problemas de saúde e a morte de animais devido às condições ambientais degradadas.
Durante o ato, os indígenas espalharam lama na recepção do prédio da Vale, simbolizando o rejeito da lama gerada pelo rompimento da barragem. Além da lama, a ação contou com a utilização do “xadrez preto e vermelho”, uma tintura que representa a rejeição à lama tóxica, o sangue das vítimas do desastre e a resistência indígena. Segundo Cacica Ãgohó, líder da comunidade, o protesto é uma forma de resistência e de chamar atenção para as reivindicações de direitos e reparações, que, segundo ela, vêm sendo negligenciadas há sete anos. A líder destacou que a manifestação continuará até que algum representante da Vale com poder de decisão seja recebido para dialogar e buscar uma solução definitiva.
A manifestação ocorreu de forma pacífica, com a circulação normal de funcionários da Vale no local, conforme constatado pela reportagem. Em entrevista à Itatiaia, Cacica Ãgohó afirmou que, apesar de terem sido recebidos por pessoas que representam a mineradora, essas não possuem autoridade para resolver as demandas da comunidade. Ela reforçou a determinação de permanecer no local até que suas reivindicações sejam atendidas.
A Vale, por sua vez, em nota oficial enviada à reportagem, afirmou estar cumprindo integralmente os acordos já firmados com as comunidades indígenas e afirmou estar aberta ao diálogo, sempre respeitando os direitos desses povos e das comunidades tradicionais. A mineradora também garantiu que respeita o direito à manifestação pacífica e ao livre trânsito de pessoas e empresas na região.
O protesto na sede da Vale também foi registrado por um vídeo que mostra a entrada do prédio com lama no chão, além do uso do “xadrez” colorido. A líder indígena explicou que a lama não é tóxica, mas foi usada como símbolo do desastre, representando o rejeito da barragem, o sangue das vítimas e a resistência indígena. Ela também denunciou problemas internos na comunidade, como a troca de prontuários que resultou no recebimento de medicamentos incorretos, agravando o quadro de saúde dos moradores, além de denunciar a ausência de atividades tradicionais, como o batismo de crianças, caça e pesca, por anos.
A situação da Aldeia Katurãma evidencia as dificuldades enfrentadas por comunidades indígenas afetadas por desastres ambientais e a persistente luta por reconhecimento, reparação e direitos básicos, como acesso à água potável e condições dignas de vida. A manifestação na sede da Vale representa uma tentativa de pressionar a mineradora a cumprir o que considera seus deveres de reparação e reconhecimento perante a comunidade afetada.







