Nove indivíduos suspeitos de liderar uma facção criminosa vinculada ao Comando Vermelho (CV) foram denunciados pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) por envolvimento em atividades de tráfico de drogas e controle social em comunidades da cidade de Leopoldina, na Zona da Mata, além de regiões do Rio de Janeiro. Segundo informações do órgão, oito desses suspeitos já se encontram detidos, enquanto um permanece foragido na capital fluminense.
De acordo com as investigações, os suspeitos exerceriam uma espécie de autoridade sobre as comunidades sob seu domínio, impondo regras de convivência aos moradores locais. Para tentar conquistar aceitação e legitimar sua presença, eles teriam financiado eventos nas comunidades, além de estabelecer uma espécie de “cobrança de valores” com os residentes, com a justificativa de promover uma “distribuição de benefícios”. Essas ações visariam consolidar o controle territorial e fortalecer a influência da organização criminosa na região.
Os investigadores também apontam que o grupo praticava punições internas, conhecidas como “disciplinas” e “tribunais do crime”, que seriam mecanismos de repressão e controle social entre os membros e a comunidade. Há ainda indícios de recrutamento de adolescentes para participarem das atividades ilícitas, o que evidencia a gravidade da atuação da facção na região.
A estrutura da organização criminosa, segundo as apurações do Ministério Público, apresentava uma hierarquia bem definida, com divisão de funções e uma logística própria para a distribuição de drogas. Os suspeitos supostamente recebiam entorpecentes provenientes do Rio de Janeiro, atuando na expansão do domínio territorial e na manutenção do controle sobre o tráfico na área. As investigações indicam que a cadeia de fornecimento da droga era centralizada, com registros de apreensões de embalagens, etiquetas e referências relacionadas à mesma organização, reforçando a existência de uma estrutura organizada e estruturada para o transporte e distribuição de drogas.
Até o momento, as ações policiais e as operações de apreensão resultaram na apreensão de mais de cinco mil porções de drogas, além de quatro fuzis e diversos carregadores de armas de fogo. Os registros também apontam episódios de violência grave atribuídos à facção, incluindo torturas, espancamentos, ameaças e ataques direcionados a desafetos, demonstrando o grau de periculosidade e a capacidade de violência do grupo.
A denúncia do Ministério Público representa uma das primeiras fundamentadas na Lei Antifacção, que foi instituída pelo Marco Legado do Combate ao Crime Organizado. Essa legislação inovadora criou novos tipos penais voltados ao enfrentamento de organizações criminosas que, mediante uso de violência e grave ameaça, buscam exercer domínio territorial e controle social, reforçando o aparato legal para o combate às organizações criminosas no país.
As ações do Ministério Público e das forças de segurança continuam em andamento na tentativa de desmantelar completamente a estrutura da facção e de capturar o suspeito que permanece foragido, buscando garantir maior segurança às comunidades atingidas pelo domínio dessas organizações na região da Zona da Mata e adjacências.







