Pelo menos 60 pessoas perderam a vida nesta terça-feira (15) após o colapso de uma mina de ouro na região sul do Sudão, enquanto várias outras continuam desaparecidas, conforme informações da agência de notícias AFP. O incidente ocorreu na mina Al-Zaraa, localizada próxima à cidade de El-Nahud, na região de Kordofan Ocidental, uma área marcada por atividades de mineração artesanal e de pequena escala, muitas vezes realizadas em condições precárias.
Segundo relatos, os poços da mina começaram a desabar ao longo do dia, desencadeando uma operação de resgate que se estendeu por toda a noite. As equipes de busca trabalharam incessantemente, utilizando ferramentas de trabalho comuns na mineração para remover as rochas e os detritos que bloquearam os túneis. Ainda não há confirmação do número exato de sobreviventes, e as operações continuam na tentativa de localizar possíveis vítimas soterradas.
Sayyed Jabara, um dos responsáveis pelas operações de resgate, afirmou que todos estão empenhados na recuperação dos corpos e na busca por possíveis sobreviventes, destacando a dificuldade do trabalho devido à necessidade de máquinas pesadas para remover as grandes quantidades de terra e rochas que bloqueiam os poços. A falta de equipamentos adequados tem dificultado as operações, que dependem de esforços manuais e de ferramentas comuns, dificultando o avanço na busca por vítimas.
Al-Amin Suleiman, um mineiro que trabalhava na área no momento do desabamento, explicou à AFP que os poços da mina ficam muito próximos uns dos outros, o que aumenta o risco de desabamentos em cadeia. Ele lamentou a situação, afirmando que ainda há pessoas soterradas e expressando ceticismo quanto à possibilidade de encontrá-las com vida, dada a gravidade do incidente.
O contexto da tragédia ganha ainda mais relevância ao considerar que as minas de ouro na região são uma importante fonte de financiamento para os grupos armados envolvidos no conflito entre o Exército sudanês e as Forças de Apoio Rápido (FAR), uma força paramilitar, que se intensificou desde abril de 2023. O conflito tem devastado a economia do país, que já se encontrava fragilizada, e agravado o desemprego, levando muitas pessoas a buscar na mineração artesanal uma alternativa de sobrevivência.
Grande parte do ouro extraído na região provém de atividades informais, muitas vezes realizadas em minas abandonadas ou em áreas não regulamentadas, como Al-Zaraa. Essa atividade, além de ser uma fonte de renda para muitos sudaneses, também alimenta o conflito armado, uma vez que os lucros do ouro são utilizados para financiar os esforços bélicos das partes envolvidas na guerra.
A tragédia evidencia os riscos enfrentados pelos trabalhadores da mineração artesanal no Sudão, uma atividade que, embora seja uma importante fonte de sustento para muitas famílias, é marcada por condições perigosas e pela ausência de regulamentação adequada. As autoridades locais ainda não divulgaram um balanço oficial atualizado, mas a expectativa é que o número de vítimas continue a aumentar à medida que as buscas prosseguem.








