O Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) publicou nesta terça-feira (3), data das eleições de meio de mandato no país, uma mensagem de ameaça a imigrantes que eventualmente votarem de forma ilegal. A publicação foi feita nas redes sociais da agência em meio ao esforço do governo de Donald Trump para ampliar a narrativa de que não cidadãos estariam participando das eleições americanas, embora esse tipo de ocorrência seja raro nos Estados Unidos.
“Se você votar ilegalmente, nós o encontraremos. Nós o rastrearemos, o prenderemos e o processaremos. Não haverá escapatória”, afirmou o ICE na mensagem. A agência publicou também a versão em inglês: “If you vote illegally, we will find you. We will track you down, arrest you, and prosecute you. There will be no escape.”
Nos Estados Unidos, imigrantes em situação irregular não têm autorização para votar nas eleições. Residentes estrangeiros que possuem documentação regular também não podem participar dos pleitos, já que a legislação eleitoral restringe o direito de voto a cidadãos americanos, conforme o contexto apresentado na publicação do ICE.
A mensagem foi divulgada em um momento de intensificação do discurso do governo Trump contra a participação eleitoral de pessoas que não são cidadãs dos Estados Unidos. A alegação de que estrangeiros estariam votando ilegalmente é usada como argumento político, apesar de os casos serem considerados raros no país.
Suprema Corte rejeitou pedido envolvendo votos na Califórnia
Na segunda-feira (2), a Suprema Corte dos Estados Unidos rejeitou uma solicitação do governo federal para desconsiderar cerca de 20 mil votos registrados na Califórnia, estado amplamente dominado pelo Partido Democrata, que faz oposição ao presidente Donald Trump. A justificativa apresentada pelo governo era de que os votos poderiam ter sido depositados por pessoas que não são cidadãs americanas.
A administração federal havia pedido que os votos contestados fossem separados até que a cidadania dos eleitores pudesse ser verificada. A Suprema Corte negou o pedido, mas não divulgou detalhes sobre os motivos que levaram à decisão.
Detenções do ICE atingiram recorde em agosto
Desde que retornou à Presidência, Donald Trump estabeleceu como meta a prisão diária de 300 imigrantes. A política fez crescer rapidamente o número de estrangeiros mantidos sob custódia do ICE, no ritmo mais acelerado desde a criação da agência, em 2003. Naquele período, a estrutura permitia manter até 7 mil imigrantes presos simultaneamente.
O total de detenções atingiu um novo recorde em agosto. Segundo dados divulgados pelo Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês), órgão ao qual o ICE está vinculado, 50.925 imigrantes foram detidos durante o mês.
O número representa o maior registro de prisões em um único mês desde o início da política do governo americano de perseguir e deportar cidadãos estrangeiros que vivem irregularmente em território dos Estados Unidos. Ainda assim, o resultado ficou abaixo da meta anual definida pelo próprio Trump.
Ao retornar à Casa Branca, o republicano havia determinado que o ICE detivesse aproximadamente 1 milhão de pessoas por ano. Em 2025, entretanto, a agência contabilizou 328 mil detenções, de acordo com dados do próprio ICE divulgados pela imprensa americana.
Mortes envolvendo agentes do ICE geram críticas
Em 2026, dois cidadãos americanos foram mortos a tiros por agentes do ICE. A atuação da agência passou a ser alvo de denúncias de organizações de direitos humanos e de relatos apresentados por imigrantes detidos. O governo dos Estados Unidos e defensores do ICE contestam essas acusações e rejeitam as críticas relacionadas à violência nas operações.
A discussão sobre a conduta dos agentes ocorre paralelamente ao aumento das detenções e à ampliação das ações de fiscalização migratória promovidas durante o governo Trump. A matéria original também menciona algumas das pessoas mortas por agentes do ICE em 2026, mas não apresenta, no trecho divulgado, os nomes ou detalhes desses casos.









