Uma avaliação de inteligência recentemente divulgada sugere que Hamza bin Laden, filho mais velho do fundador da Al-Qaeda, Osama bin Laden, pode ter sobrevivido à operação que foi anunciada como sua morte em 2019. Segundo o documento, obtido pelo jornal britânico Daily Mail, Hamza teria passado os últimos anos reconstruindo a estrutura da organização terrorista, enquanto sua suposta morte teria sido uma estratégia para desviar o foco das agências de inteligência internacionais.
De acordo com o relatório, a suposta morte de Hamza foi usada como uma manobra para retirá-lo do radar das forças de segurança globais. A avaliação indica que membros da própria Al-Qaeda criaram uma narrativa falsa acerca de seu falecimento, inclusive manipulando conversas telefônicas para reforçar essa versão. A operação de dissimulação teria contado com o apoio de aliados na região, incluindo a Rede Haqqani, grupo influente no Afeganistão, descrito no documento como uma estrutura criminosa com forte presença local.
Hamza, que atualmente tem 37 anos, foi dado como morto após uma operação antiterrorista conduzida por forças americanas em 2019, na qual autoridades dos Estados Unidos afirmaram que ele foi atingido por um ataque aéreo. Contudo, nenhum corpo foi apresentado publicamente na ocasião, alimentando suspeitas de sua sobrevivência. A recente divulgação de um vídeo, datado de 10 de setembro, reforçou as suspeitas. No material, produzido para marcar os 25 anos dos ataques de 11 de setembro, Hamza aparece duas vezes, falando sobre uma suposta guerra contra o Islã e recitando um poema, o que levantou dúvidas sobre sua possível continuidade de atividades.
A avaliação de inteligência aponta que, ao perceber que estava sendo monitorado, Hamza teria elaborado uma estratégia para enganar os serviços de inteligência, reforçando a narrativa de sua morte. Pessoas próximas à sua família teriam realizado ligações discutindo sua suposta morte, reforçando informações interceptadas por agências de segurança. Essa manobra teria sido fundamental para que ele deixasse de ser considerado um alvo ativo na lista de ameaças da comunidade internacional.
O documento também revela que Hamza teria assumido o papel de emir da Al-Qaeda em novembro de 2022, em uma reunião realizada no campo de treinamento de al-Farouq, na província de Kandahar, no Afeganistão. Participaram do encontro representantes de diferentes grupos extremistas, o que indica uma tentativa de consolidar sua liderança. A manutenção do sigilo em torno de sua posição teria sido uma estratégia para evitar que as agências de inteligência localizassem sua posição exata.
Segundo a avaliação, Hamza teria dedicado os últimos anos a fortalecer uma rede de apoio à Al-Qaeda em várias regiões da Ásia e da África, com o objetivo de ampliar sua influência internacional. O relatório alerta que essa rede representa um potencial risco de ataques contra países ocidentais, incluindo atentados de grande escala, ações individuais, sequestros, assassinatos, sabotagens e ataques contra autoridades. O Reino Unido, em particular, é destacado como um alvo de interesse, devido à sua aliança militar com os Estados Unidos e aos fatores relacionados aos conflitos no Oriente Médio e à radicalização pela internet.
Além do aspecto operacional, a avaliação destaca a importância simbólica do sobrenome de Hamza. Como filho de Osama bin Laden, morto por forças americanas em 2011, Hamza representa uma ligação direta com a origem e a história da organização terrorista. Sua figura poderia ajudar a conectar diferentes gerações de extremistas, reforçando a narrativa de continuidade da Al-Qaeda.
Por fim, o relatório conclui que a ameaça representada pela organização não deve ser vista apenas como um capítulo do passado. A presença de grupos afiliados em várias regiões, juntamente com a situação instável no Afeganistão e os conflitos internacionais, cria condições propícias para novas ações de recrutamento e mobilização, mantendo a ameaça ativa e em evolução.








