Uma tragédia no Lago Kariba, na fronteira entre Zimbábue e Zâmbia, resultou na morte de pelo menos 44 pessoas após uma balsa naufragar na terça-feira, dia 11 de outubro. A confirmação do número de vítimas foi divulgada na manhã desta quarta-feira, dia 12, pela polícia do Zimbábue, que também informou que o incidente ocorreu durante uma operação de transporte de passageiros na região.
A embarcação, de responsabilidade da Agência de Desenvolvimento de Infraestruturas Rurais (Rida), tinha capacidade máxima para 90 pessoas, mas transportava, ao momento do acidente, 114 passageiros adultos, além de cinco tripulantes e um número indeterminado de crianças. O excesso de ocupantes e as condições do mar contribuíram para a tragédia, que se configura como uma das mais graves envolvendo embarcações de passageiros no lago Kariba, um dos maiores lagos artificiais do mundo em volume, localizado na fronteira entre Zimbábue e Zâmbia, a cerca de 300 quilômetros de Harare, a capital do país.
A balsa realizava trajetos entre a cidade de Kariba e várias ilhas e acampamentos de pesca na região. Segundo informações da Unidade de Proteção Civil do Zimbábue, inicialmente, o governo local informou que 77 pessoas haviam sido resgatadas e que 15 corpos haviam sido recuperados. No entanto, o número de vítimas fatais aumentou ao longo do dia, elevando o saldo para 44 mortos.
De acordo com relatos de uma sobrevivente não identificada, os passageiros solicitaram ao condutor da embarcação que retornasse devido às más condições de navegação, mas o pedido foi negado. A testemunha afirmou que, enquanto a embarcação seguia adiante, havia água a bordo e ondas cada vez mais fortes, o que provocava sacudidas na balsa. Ela também relatou que os passageiros tentaram convencer o condutor a acionar o capitão, mas receberam a resposta de que não tinham autoridade para determinar as ações do comandante.
Maxton Kanhema, uma testemunha envolvida nas operações de resgate, afirmou à agência France-Presse (AFP) que a balsa partiu normalmente, apesar do mau tempo. Ele destacou que equipes de resgate, incluindo mergulhadores do exército, embarcações maiores e um helicóptero disponibilizado pelo Parque Nacional Matusadona, estão mobilizadas na busca pelos desaparecidos. Kanhema descreveu a cena como extremamente triste, mencionando corpos na água e o pânico entre os passageiros resgatados.
O incidente reforça a preocupação com a segurança no transporte de passageiros em lagos artificiais na região, onde a combinação de sobrecarga, condições meteorológicas adversas e fiscalização insuficiente tem sido uma constante. As buscas pelos desaparecidos continuam, enquanto as autoridades locais reforçam os esforços para localizar e recuperar possíveis vítimas, além de investigar as causas do naufrágio. Os resgatados foram levados para uma ilha no centro do lago, onde permanecem sob cuidados das equipes de emergência.








