Escorpiões, comuns em diversas regiões do Brasil, têm encontrado nas áreas urbanas condições favoráveis para permanecer e se reproduzir. Ambientes escuros, frestas, acúmulo de materiais e a presença de baratas — principal fonte de alimento desses animais — aumentam as chances de aparecimento dentro dos domicílios. O zoologista Fabricio Escarlate, professor do Centro de Ensino Unificado de Brasília (Ceub), aponta que o escorpião-amarelo se adaptou bem às transformações provocadas pelo ser humano nas cidades, encontrando abrigo e alimento nas áreas urbanas. “Ele se beneficia das modificações que fazemos no ambiente, encontrando abrigo e alimento nas áreas urbanas”, explica, destacando a necessidade de medidas simples para reduzir o risco de infestações em residências.
A presença de escorpiões é considerada perigosa, sobretudo para crianças e idosos, exigindo avaliação cuidadosa do risco. A boa notícia é que algumas ações simples podem diminuir a probabilidade de encontrar esses animais no interior dos imóveis. Embora a limpeza, por si só, não elimine os escorpiões, ela dificulta a permanência deles ao reduzir a oferta de alimento. Vanessa Moia Martins, especialista em limpeza da Ecoville, orienta que cozinhas, despensas, lavanderias e áreas de serviço permaneçam sempre higienizadas. Além disso, recomenda armazenar alimentos em recipientes fechados e manter o lixo tampado. “A limpeza ajuda a evitar a proliferação de insetos, principalmente baratas, que são a principal fonte de alimento dos escorpiões”, ressalta.
As práticas de higiene devem ser acompanhadas por uma atenção à infraestrutura doméstica. É importante limpar periodicamente caixas de gordura, tubulações e ralos e, sempre que possível, instalar telas de proteção nesses locais. A combinação de higiene adequada com proteção de infraestrutura reduz os espaços adequados para abrigo de escorpiões e facilita o controle de entradas indesejadas.
Além da higiene, a organização dos ambientes desempenha papel decisivo na prevenção. Depósitos, garagens, sótãos, lavanderias e quintais com entulho, folhas secas, restos de poda, madeiras, telhas ou materiais de construção oferecem abrigos ideais para os animais. Segundo Escarlate, esses aracnídeos buscam locais protegidos, escuros e com pouca movimentação. Frestas em tijolos, rachaduras e buracos também constituem microambientes favoráveis à permanência dos escorpiões. Por isso, especialistas recomendam a remoção de objetos sem uso, a evitar o acúmulo de materiais e a manter quintais e jardins limpos e organizados.
Medidas estruturais completam as estratégias de prevenção. Vedar rachaduras, corrigir frestas em paredes e pisos e instalar telas nos ralos são ações importantes para dificultar o acesso dos escorpiões ao interior dos imóveis. Adotar uma rotina de verificação de áreas de passagem e proteção de aberturas reduz o risco de invasão. Além disso, recomenda-se criar o hábito de inspecionar calçados, roupas, toalhas e roupas de cama antes do uso, especialmente em regiões com registros frequentes de escorpiões.
Caso um animal seja encontrado, a orientação não é tentar matá-lo. O zoologista destaca que essa atitude aumenta o risco de acidentes, já que o escorpião pode reagir em defesa. O protocolo adequado é isolar o local, conter o animal com um balde ou recipiente, se for seguro fazê-lo, e acionar o Centro de Controle de Zoonoses ou o serviço responsável do município para a remoção. Essa abordagem evita confrontos diretos e facilita a remoção pelo serviço competente, contribuindo para a segurança de moradores, especialmente crianças e idosos, em áreas com potencial de ocorrência de escorpiões.







