Um grupo de WhatsApp denominado “Aniversário general”, que esteve ativo até pelo menos 21 de novembro de 2023, conectava o coronel da Polícia Militar de São Paulo, Luiz Carlos Pereira Martins, ao operador do Primeiro Comando da Capital (PCC), Cléber Azevedo dos Santos. A informação foi revelada por promotores do Ministério Público de São Paulo, que estão à frente da Operação Janus, deflagrada no dia 21 de novembro pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
De acordo com os promotores, as mensagens trocadas no grupo apresentavam um caráter pessoal e social, com referências a eventos e celebrações, sugerindo uma relação de proximidade entre os envolvidos que vai além de simples contatos ocasionais. A investigação também indicou que Pereira Martins teria manifestado disposição para ajudar os investigados e facilitar contatos com autoridades.
Embora o coronel não tenha sido alvo da operação realizada na manhã de terça-feira, a reportagem procurou a Polícia Militar para se manifestar sobre as menções ao oficial, além de buscar um contato direto com ele, mantendo o espaço aberto para qualquer resposta.
A partir da descoberta do grupo “Aniversário general”, os promotores apuraram que Cléber, tido como operador do PCC, mantinha uma relação de amizade com o coronel. Essa relação persistiu mesmo após Cléber se tornar alvo de operações policiais significativas, como a Operação Fractal, que ocorreu no final de 2022. Os promotores argumentam que a conexão entre o coronel e o membro do PCC era mais profunda do que simples interações esporádicas.
O conteúdo do grupo de WhatsApp revelou que Pereira Martins se ofereceu para ajudar os investigados e intermediar negociações com autoridades e políticos. Além disso, investigações levaram à obtenção de fotos que mostram o coronel e Cléber em uma confraternização regada a bebidas alcoólicas.
Na investigação, Cléber Azevedo dos Santos é identificado como “companheiro” do PCC, um termo que indica uma ligação com as normas e hierarquias da facção, focando na captação de recursos para o grupo criminoso. O Ministério Público também apontou que, além de Pereira Martins, outros operadores do PCC mantinham relações com José Augusto Coutinho, ex-comandante-geral da PM e da Rota, e um indivíduo conhecido como “Patrício”, que aparece em planilhas da facção como “cliente”.
Em uma das conversas analisadas, Cléber solicitou a Amjad Ahmad, outro investigado, informações sobre o saldo financeiro de um esquema, mencionando a necessidade dos recursos para “pagar a polícia”. Os coronéis mencionados na investigação, que fazem parte da antiga cúpula da corporação, não foram alvos da operação realizada na terça-feira. A reportagem também buscou manifestação dos coronéis por meio da assessoria de imprensa da Polícia Militar de São Paulo, mantendo o espaço aberto para respostas.
A operação do Gaeco visa investigar suspeitos de movimentar recursos do PCC por meio de grandes entregas de dinheiro em espécie, transferências bancárias e uso de empresas e contas “laranjas”. A investigação ainda revela que alguns alvos participavam de reuniões destinadas a resolver disputas patrimoniais entre integrantes da facção, conhecidas como “tribunais do crime”.
Além das prisões e buscas realizadas, a Vara Estadual de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens determinou o bloqueio de contas, aplicações financeiras, imóveis, veículos e outros bens dos investigados. Ativos financeiros de até R$ 10 milhões por alvo foram bloqueados, e restrições patrimoniais foram impostas a empresas identificadas como parte da estrutura financeira do PCC.








