A Polícia Civil de Minas Gerais indiciou a diarista Paola Stefany Neto Cirino por latrocínio – roubo seguido de morte – contra o casal de idosos Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76, mortos em 29 de junho no apartamento onde moravam, no bairro São Pedro, em Belo Horizonte. O inquérito também resultou no indiciamento de outras quatro pessoas por receptação qualificada.
De acordo com a investigação, a diarista foi ao apartamento pela primeira vez no dia do crime, indicada por um primo de Maria Clotilde para realizar serviços de limpeza. Durante o almoço, ela bateu comprimidos no liquidificador ao preparar um suco e dopou o casal. Cláudio dormiu no quarto; Maria Clotilde, na sala. Em seguida, desferiu várias facadas contra os dois – ela sofreu cerca de sete golpes, ele, aproximadamente 17. Depois, tomou banho, trocou de roupa e saiu carregando bolsas, mochilas e pertences das vítimas, que foram negociados no Centro de Belo Horizonte.
A suspeita foi presa em flagrante no dia 2 de julho, num hotel em Itabira, na Região Central de Minas, e permanece no sistema prisional. A faca usada no crime foi localizada numa nova perícia no apartamento na última segunda-feira (6).
Receptadores indiciados após latrocínio
Quatro pessoas também foram indiciadas por receptação após adquirirem objetos vendidos pela diarista. Segundo o delegado Gustavo Barletta, do Departamento Estadual de Investigação de Crimes contra o Patrimônio (Depatri), são três homens que compraram bens roubados e o proprietário de um comércio que intermediou uma das negociações, retendo uma porcentagem do valor.
Todos procuraram a polícia voluntariamente, acompanhados de advogados, devolveram os itens e alegaram desconhecer a origem ilícita. Apesar da colaboração, foram indiciados – o que, segundo o delegado, não impede o reconhecimento do arrependimento posterior pela Justiça, o que pode reduzir a pena, conforme previsto no Código Penal.
Crime premeditado
A investigação apontou que a diarista teria decidido cometer o crime antes mesmo de chegar ao apartamento. Ela tem histórico de usar medicamentos sedativos para reduzir a resistência das vítimas, além de violência física.
O método foi o mesmo usado contra o casal de idosos. A inexistência de arrombamento e o controle de acesso do prédio – por senha ou liberação de morador – direcionaram as apurações para pessoas admitidas voluntariamente no imóvel.








