A Justiça de Belo Horizonte indeferiu o pedido de segredo de justiça no processo que investiga a morte do casal Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76 anos, vítimas de homicídio na Região Centro-Sul da capital mineira. A decisão foi tomada pelo juiz Alexandre Magno de Resende Oliveira, da 2ª Vara Criminal da Comarca de Belo Horizonte, na quarta-feira (12), reafirmando o princípio da publicidade dos atos processuais, especialmente em ações penais de iniciativa pública.
O pedido de sigilo havia sido solicitado pela defesa da ré, Paola Stefany Neto Cirino, que é acusada de ser a autora do crime. No entanto, o magistrado destacou que a transparência na tramitação dos processos criminais é uma regra fundamental no ordenamento jurídico brasileiro, sobretudo em casos de interesse coletivo, como os de homicídio e crimes relacionados a roubo. Segundo o juiz, a sociedade tem o direito de acompanhar o andamento do procedimento, garantindo a publicidade e a fiscalização do devido processo legal.
Apesar de negar o sigilo no processo principal, o magistrado determinou que o requerimento de instauração do procedimento de incidente mental seja analisado em outro procedimento, que correrá sob sigilo. Essa medida visa resguardar aspectos específicos do caso relacionados à saúde mental da ré, sem comprometer a transparência do processo principal.
A acusada, Paola Stefany Neto Cirino, responde por latrocínio — roubo seguido de morte — em duas ocasiões distintas, com agravantes de uso de meios cruéis, recursos que dificultaram a defesa das vítimas e o fato de o crime ter sido praticado contra pessoas idosas. Além disso, ela pode ser processada por adulteração de provas, manipulação da cena do crime para dificultar a perícia e uso fraudulento de cartões bancários das vítimas.
Paola confessou a autoria do latrocínio que resultou na morte do advogado Cláudio Atala Inácio e de sua esposa, Maria Clotilde. O crime ocorreu em 29 de junho, no apartamento do casal localizado no bairro São Pedro, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. Os corpos das vítimas foram encontrados no dia seguinte pelo filho do casal, após o casal não ser visto por familiares.
Segundo o processo, a diarista estava no primeiro dia de trabalho na residência, tendo sido indicada por um primo de Maria Clotilde para realizar o serviço. Durante o almoço, ela teria preparado um suco com comprimidos de Clonazepam, dopando as vítimas. Cláudio Atala Inácio teria dormido no quarto, enquanto Maria Clotilde permaneceu na sala. Após o crime, a acusada teria cometido diversas ações, incluindo golpes com facadas contra o casal, além de tomar banho, trocar de roupa e negociar bens roubados no centro de Belo Horizonte.
A denúncia aponta que Paola Stefany Neto Cirino agiu com crueldade e premeditação, evidenciando a gravidade do crime e a complexidade do processo que tramita na Justiça mineira. A investigação segue em andamento, com a expectativa de que o julgamento seja realizado em breve, garantindo a responsabilização pelos atos praticados.







