Eduardo Abner Pereira de Oliveira, sargento da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), é suspeito de ter assassinado sua esposa, a capitã Michele Azevedo Leão. Abner, que já havia sido expulso da corporação em 2009 por omissão de informações em seu formulário de ingresso, foi reintegrado em 2014 após uma decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).
A expulsão de Abner ocorreu por meio de um Processo Administrativo de Exoneração (PAE), que alegou falta de idoneidade moral e social, uma vez que ele havia respondido a processos por atos infracionais na infância e tinha um histórico de apreensão por porte ilegal de arma de fogo. No entanto, a reintegração foi possível após o TJMG considerar que as evidências contra ele eram insuficientes. O relator do caso, desembargador Pedro Bitencourt Marcondes, destacou que a apreensão por porte de arma se baseava apenas em um extrato genérico e que os processos anteriores estavam arquivados, além de terem sido cometidos quando Abner era menor de idade, o que o tornava penalmente inimputável.
A capitã Michele Azevedo Leão foi levada ao Hospital Odilon Behrens em Belo Horizonte na noite de 20 de julho, já sem vida. O sargento Eduardo Abner, que a acompanhou até a unidade de saúde, foi preso imediatamente sob a suspeita de feminicídio. A médica que atendeu Michele notou que ela apresentava ferimentos graves e que já estava morta há pelo menos quatro horas, com sinais de traumatismo craniano e lesões que indicavam violência.
Após a constatação das circunstâncias do falecimento, a Polícia Militar foi acionada, resultando na prisão de Abner em flagrante, com a acusação de feminicídio consumado, cuja pena pode variar de 20 a 40 anos de reclusão. A mãe de Michele relatou que o casal estava junto há cerca de oito anos e que o relacionamento era caracterizado por abusos.
Eduardo Abner já havia enfrentado acusações de agressão em 2016, quando foi acusado de agredir uma ex-companheira. Na mesma época, desrespeitou uma medida protetiva ao enviar ameaças à mulher e seus familiares. Em 2023, ele foi preso por embriaguez ao volante, o que levanta preocupações sobre seu comportamento e histórico de violência.
O advogado de Abner, Gustavo Nepomuceno, pediu cautela ao público em relação a julgamentos precipitados. Ele enfatizou a importância de aguardar a conclusão das investigações e laudos periciais, afirmando que todas as circunstâncias do caso serão esclarecidas pelas autoridades competentes. Nepomuceno também manifestou a confiança no devido processo legal e na imparcialidade das investigações, ressaltando que a defesa se manifestará nos autos do processo, respeitando o direito de defesa e o sigilo necessário ao andamento do caso.
Este caso destaca não apenas a gravidade das acusações, mas também as questões relacionadas à reintegração de um militar com um histórico problemático e a necessidade de uma análise mais profunda sobre a atuação das instituições responsáveis pela segurança pública.








