O julgamento de três réus suspeitos de envolvimento no ataque a um ônibus que deixou morto o torcedor atletico Mateus de Freitas Ferreira, de 20 anos, em novembro de 2021, será retomado nesta quarta-feira no 2º Tribunal do Júri de Belo Horizonte (BH), localizado no Barro Preto, na região Centro-Sul da capital mineira. A sessão, que havia sido suspensa, retoma às 8h30 desta quarta-feira e abre o que se espera seja uma continuidade de um processo já marcado por mudanças na condução anterior. O novo julgamento ocorre após as condenações anteriores terem sido anuladas pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).
Entre os réus, constam Riquelme Enderson Ribeiro da Silva, Luiz Gustavo da Silva Veloso e Pedro Henrique Coimbra Braga. Nesta terça-feira (28), eles foram novamente interrogados durante a sessão de recomeço do júri. O Ministério Público descreve que os integrantes da facção conhecida como Máfia Azul interceptaram o ônibus da linha 6350, que fazia o trajeto Estação Barreiro/Estação Pampulha, ao passar pelo Anel Rodoviário, nas imediações do bairro Novo das Indústrias, em Belo Horizonte. O ataque ocorreu após o jogo entre Atlético e Fluminense, pela noite de 28 de novembro de 2021.
O que está em jogo no novo júri
O MP sustenta que os torcedores cruzeirenses passaram a arremessar pedras, pedaços de madeira, barras de ferro e bombas contra o veículo. Mateus de Freitas Ferreira, que encontrava-se no coletivo, tentou fugir, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu. Entre os feridos estavam ainda outros passageiros, na maioria moradores do bairro Barreiro, elevando o registro de vítimas do episódio para além da fatalidade. A ação também deixou feridos, com várias pessoas feridas durante a agressão. Ao longo da investigação, a polícia apreendeu no veículo utilizado pelos acusados três bastões de madeira, cinco artefatos explosivos de fabricação caseira, um soco inglês e um foguete.
Desdobramentos processuais anteriores
Historicamente, Samuel Paixão de Souza e Riquelme Enderson Ribeiro da Silva haviam sido condenados, em gestões distintas do processo, a 67 e 50 anos de prisão, respectivamente. Contudo, o TJMG anulou as condenações, apontando cerceamento de defesa, o que levou à designação de um novo júri para ambos os casos. Por outro lado, Luiz Gustavo da Silva Veloso e Pedro Henrique Coimbra Braga passaram por julgamento em outubro de 2024, recebendo penas de 24 e 20 anos de prisão, respectivamente; porém, o TJMG também anulou aquela sessão do Tribunal do Júri, impondo novas ações para a apreciação das respectivas acusações.
Ainda nesta terça e próximos passos
Durante a audiência desta terça-feira (28), foram ouvidas seis testemunhas. Dentre elas, consta a participação de um policial militar que atuou na ocorrência. Duas pessoas que seriam chamados para depor acabaram dispensadas, limitando o total de depoimentos presentes naquela sessão. A previsão é de que o novo julgamento se estenda por dois dias, considerando-se o histórico de complexidade do caso e o número de testemunhas, bem como as contramedidas que costumam acompanhar casos de júri popular nesse tipo de investigação.
Houve também, ainda nesta terça-feira, o desmembramento do julgamento de Samuel Paixão de Souza, atendendo a pedido da defesa, que alegou questões de saúde do advogado responsável pela defesa. O juiz Bernardo Campos Mitre concedeu o desmembramento, fixando, porém, uma data a ser definida para o novo julgamento do réu. A decisão mantém o objetivo de assegurar o devido processo legal, com respeito às prerrogativas de defesa, ao mesmo tempo garantindo que o caso siga trilhando o seu caminho pela Justiça.
Contexto adicional e relevância pública
O ataque envolvendo torcidas organizadas em momentos que antecedem ou sucedem partidas de futebol sempre provoca um conjunto de desdobramentos legais, sociais e de segurança pública. O caso em questão, que resultou na morte de Mateus Ferreira, é particularmente significativo por retratar a violência entre torcidas que se manifestou em atos que vão além da confrontação entre torcedores, atingindo a circulação de usuários de transporte público e, assim, afetando diretamente a comunidade local, especialmente moradores do Barreiro e regiões adjacentes. A continuidade do julgamento, com a retomada das sessões no 2º Tribunal do Júri de Belo Horizonte, busca esclarecer as responsabilidades individuais dos envolvidos e promover um desfecho que respeite os princípios do devido processo legal, ao mesmo tempo em que reconhece a gravidade das ações descritas na denúncia do Ministério Público.
Até o momento, as informações disponíveis indicam que o novo desfecho processual estará sujeito aos elementos de prova produzidos durante o júri, incluindo os depoimentos das testemunhas, as evidências apreendidas no momento da operação policial e as considerações que o Judiciário decidir tomar com relação às obrigações de cada réu perante a lei. A continuidade do julgamento, prevista para esta quarta-feira, expõe-se como uma etapa crucial no desfecho de um caso que sensibilizou a sociedade mineira e manteve o debate público sobre a violência associada aos confrontos entre torcidas organizadas e as medidas de prevenção e responsabilização adotadas pelas autoridades.








