Durante uma operação conjunta realizada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e pela Polícia Civil, duas pessoas foram presas sob suspeita de envolvimento em um esquema de corrupção e fraudes em contratos da Câmara Municipal de Santa Luzia, localizada na região metropolitana de Belo Horizonte. A ação, denominada “Arremate”, incluiu a execução de mandados de prisão preventiva, buscas e apreensões, além de medidas cautelares que resultaram no afastamento de funções públicas, sequestro e arresto de bens e bloqueio judicial de valores.
A operação é um desdobramento da investigação anterior conhecida como “Caixa Dourada”, que foi deflagrada em setembro do ano passado. Na primeira fase, o MPMG cumpriu dez mandados de busca e apreensão na Grande Belo Horizonte, focando em três empresas, seus sócios-proprietários e dois servidores públicos responsáveis pela gestão de processos licitatórios da Câmara Municipal. As investigações revelaram que os suspeitos, identificados como funcionários públicos, utilizavam empresas de fachada para criar uma concorrência simulada na cotação de preços, direcionando as licitações da Câmara para o fornecimento de produtos com preços superfaturados.
Na nova etapa da operação, os mandados expedidos pela 1ª Vara Criminal e de Execuções Penais de Santa Luzia foram cumpridos em endereços residenciais e comerciais dos investigados, bem como nas empresas implicadas nas fraudes. A Justiça também autorizou o acesso aos dados contidos em dispositivos eletrônicos que foram recolhidos pelas equipes policiais durante a operação.
As investigações estão sendo conduzidas pela 2ª Delegacia de Polícia Civil em conjunto com a Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público de Santa Luzia, que busca mapear a extensão dos prejuízos causados aos cofres públicos. A operação destaca a atuação das autoridades no combate à corrupção e à má gestão dos recursos públicos, especialmente em um momento em que a transparência e a ética na administração pública são temas de grande relevância.
Em resposta à operação, a prefeitura de Santa Luzia divulgou uma nota oficial, na qual expressa que está acompanhando o caso com atenção e aguarda o desenrolar das investigações. A Administração Municipal enfatiza que a operação não está relacionada ao Poder Executivo atual, mas sim à Câmara Municipal em gestões anteriores. A nota ressalta que a prefeitura não compactua com práticas que contrariam os princípios da legalidade, ética e transparência na administração pública.
A administração também reafirma sua confiança nas autoridades responsáveis pela investigação e espera que todos os fatos sejam esclarecidos. Caso sejam confirmadas irregularidades e a participação dos investigados, a prefeitura defende que a lei deve ser aplicada com rigor, respeitando sempre o devido processo legal, a ampla defesa e a presunção de inocência.
A reportagem entrou em contato com a Câmara Municipal de Santa Luzia em busca de uma manifestação sobre o caso e aguarda um retorno oficial.









