O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou Stephen Miller como o próximo chefe de gabinete da Casa Branca, em substituição a Susie Wiles. A mudança ocorre poucos dias depois das eleições de meio de mandato, marcadas por uma derrota considerada catastrófica para os republicanos, que perderam de maneira decisiva as maiorias na Câmara dos Representantes e no Senado.
Miller, atual vice-chefe de gabinete e um dos assessores mais influentes de Trump, é conhecido por liderar a formulação da política de imigração de linha-dura do governo. A escolha sinaliza que o presidente não pretende promover uma mudança profunda em sua maneira de governar. Ao contrário, a nomeação coloca no principal posto administrativo da Casa Branca um aliado identificado com algumas das prioridades mais controversas do segundo mandato.
A saída de Wiles representa a primeira grande alteração na equipe presidencial desde o resultado das eleições. Pessoas familiarizadas com o assunto afirmaram que Trump se irritou com a estratégia política empregada durante a campanha e passou a atribuir a integrantes de seu próprio grupo parte da responsabilidade pelo desempenho negativo do Partido Republicano.
Segundo duas fontes, Wiles apresentou sua renúncia na noite de quinta-feira (5). A troca está prevista para entrar em vigor na segunda-feira (9). Trump disse que a ex-chefe de gabinete passará a atuar em sua operação política e avaliou que ela realizou “um trabalho excepcional” durante o período em que esteve à frente da equipe da Casa Branca.
Wiles confirmou a mudança em uma declaração publicada no X. No texto, afirmou que servir ao presidente foi “a honra de uma vida” e declarou estar “orgulhosa de ter feito parte do que realizamos juntos”. Ela também disse que, embora sua função esteja sendo alterada, continuará comprometida com Trump e com a missão do governo.
Resultado eleitoral ampliou a pressão sobre a equipe presidencial
Na noite de terça-feira (3), inicialmente Trump não demonstrou estar profundamente abalado com os resultados das eleições de meio de mandato. Conforme pessoas que acompanharam sua reação, porém, o presidente se tornou progressivamente mais irritado enquanto assistia à cobertura das perdas históricas sofridas pelos republicanos.
O ambiente na Ala Oeste da Casa Branca também se deteriorou, com o agravamento das disputas entre diferentes facções da equipe presidencial. Durante uma recepção considerada tensa, realizada na noite da eleição na Sala Leste, Trump teria deixado evidente seu descontentamento com a condução política adotada por seus assessores.
Uma das pessoas familiarizadas com o assunto afirmou que o presidente relacionou as derrotas expressivas à estratégia utilizada durante a campanha. Wiles estava entre os integrantes da equipe responsabilizados por Trump pelo resultado. Desde então, aliados e associados vinham pressionando o presidente a reorganizar o grupo de assessores mais próximos.
A avaliação apresentada a Trump era de que a Ala Oeste precisava adotar uma abordagem diferente após o desempenho republicano nas urnas. A substituição de Wiles por Miller aparece, nesse contexto, como uma resposta à pressão por mudanças, mas sem indicar uma revisão das principais prioridades políticas do governo.
Stephen Miller consolida espaço no núcleo do governo
Miller trabalha com Trump desde a primeira campanha presidencial do republicano, iniciada em 2015. No governo, ele se tornou o principal articulador de propostas relacionadas à imigração e, ao longo do último ano, ampliou sua atuação para outras áreas da política doméstica.
O assessor também passou a defender uma interpretação ampla dos poderes do Executivo, o que aumentou sua influência nas decisões do segundo mandato. Nos últimos dias, Trump consultou aliados para avaliar se Miller seria o nome adequado para assumir a chefia de gabinete. Jay Clayton, diretor de Inteligência Nacional, também foi citado pelo presidente como possível candidato ao cargo, segundo uma pessoa familiarizada com as conversas.
Wiles havia sido gerente da campanha de Trump nas eleições de 2024 antes de se tornar a primeira mulher a ocupar a chefia de gabinete da Casa Branca. Recentemente, ela informou ter concluído o tratamento contra o câncer de mama.
Durante o primeiro mandato, Trump teve quatro chefes de gabinete. Wiles permaneceu na função por mais tempo do que qualquer um deles. Sua estratégia consistia em evitar mudanças profundas na forma como Trump exercia a Presidência ou em suas prioridades centrais. Em vez disso, ela procurava aproveitar a influência de diferentes figuras próximas ao presidente para conduzir e ajustar a agenda do governo.
Trump costumava chamar Wiles de “donzela de gelo”, em alusão ao seu estilo considerado pragmático. Até o mês passado, o presidente afirmava que ela continuaria no cargo por bastante tempo. Em 16 de outubro, declarou: “Susie está aqui e ela vai ficar aqui por muito tempo”.







