André Marinho, humorista e apresentador, é o pré-candidato do partido Novo ao governo do Rio de Janeiro. Com 31 anos, ele busca se apresentar como uma opção de renovação política, aproveitando sua experiência em sátiras políticas na televisão e nas redes sociais. Marinho, que tenta pela primeira vez um cargo eletivo, pretende se distanciar dos grupos políticos tradicionais que têm dominado o estado nas últimas décadas.
O pré-candidato revelou que teve contato com o poder desde jovem e que sua experiência o levou a criticar as práticas políticas que observou. “Eu vi o poder de perto desde muito cedo. Eu fui forjado nos salões do poder, vendo a coreografia, as máscaras e fiquei conhecido exatamente por ridicularizar o poder porque vi de perto quem eles são”, explicou Marinho.
Sua candidatura foi anunciada oficialmente em maio deste ano durante um evento que contou com a presença do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, que também é pré-candidato à Presidência pelo Novo. A disputa eleitoral de Marinho é sua estreia na política.
A carreira de Marinho na comunicação inclui passagens pela Jovem Pan, onde foi parte da bancada do programa Pânico entre agosto de 2019 e novembro de 2021, e sua volta à emissora em 2024 para apresentar o Morning Show. Ele também possui formação em Ciência Política pela New York University e em Direito pela Damásio, além de ter sido presidente-fundador do LIDE Futuro, um movimento empresarial voltado para jovens.
O humorista ganhou notoriedade nacional por suas imitações de Jair Bolsonaro, o que lhe rendeu o apelido de “tradutor” do ex-presidente. No entanto, sua relação com a família Bolsonaro é complexa. André é filho de Paulo Marinho, que foi um dos apoiadores de Bolsonaro em 2018, mas posteriormente rompeu relações com a família e até apoiou o presidente Lula em 2022. Atualmente, Paulo Marinho é suplente do senador Flávio Bolsonaro.
André também se distanciou dos Bolsonaro após um desentendimento ao vivo com Jair Bolsonaro em 2021, mas recentemente declarou apoio à candidatura de Flávio à Presidência, justificando que houve um esforço para superar os conflitos do passado.
No que diz respeito à segurança pública, Marinho apresenta um plano dividido em cinco eixos: controle de fronteiras, recuperação territorial, combate ao crime organizado, expansão do sistema prisional e valorização das forças policiais. Ele sugere o uso de tecnologia, como satélites em parceria com a Starlink, e a instalação de pórticos de reconhecimento facial na Rodovia Dutra para o controle de fronteiras.
Para a recuperação territorial, Marinho menciona a aplicação de modelos de “zonas verdes” e a teoria das janelas quebradas, destacando a importância da presença do Estado nas áreas liberadas, algo que, segundo ele, falhou nas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). Além disso, propõe a implementação de parcerias público-privadas para resolver o déficit de 20 mil vagas no sistema prisional.
O pré-candidato também pretende restabelecer a secretaria de vitimados e oferecer acompanhamento psicológico para os policiais, ressaltando a crescente preocupação com a saúde mental da categoria. Uma proposta controversa é a classificação do Comando Vermelho como organização terrorista, medida que, segundo ele, avançou em reuniões com autoridades americanas.
Marinho descarta a construção da Linha 3 do metrô, considerada uma promessa antiga, e sugere um sistema aquaviário de balsas para integrar diversas cidades da região metropolitana, uma alternativa que, segundo estudos, seria mais viável e econômica.
O partido Novo aposta na visibilidade de Marinho nas redes sociais para ampliar sua presença na disputa pelo governo fluminense, mesmo reconhecendo as dificuldades que enfrenta, como a falta de recursos e aliados. “Um apoiador em Volta Redonda me disse que eu seria o Davi contra dois goleiros anabolizados. Eu prefiro assim. Não há nada mais forte do que uma mensagem cujo tempo chegou”, concluiu o pré-candidato.









