O candidato à Presidência da República pelo partido Avante, Augusto Cury, apresentou propostas voltadas à regulação das redes sociais e à responsabilização das plataformas por possíveis impactos à saúde mental de crianças e adolescentes. Durante uma sabatina concedida ao jornal O Globo nesta sexta-feira (28), Cury afirmou que, caso seja comprovada judicialmente a relação entre o uso dessas plataformas e casos de automutilação ou tentativa de suicídio entre jovens, recorrerá à Justiça para responsabilizar as empresas responsáveis. Ele destacou ainda a necessidade de uma alta tributação sobre as redes sociais, equiparando sua regulamentação àquela aplicada ao setor do tabaco, por considerá-las drogas que podem gerar dependência.
O candidato criticou a influência das redes sociais na saúde mental de jovens, afirmando que o uso excessivo pode gerar dependência semelhante à provocada por drogas como a cocaína. Segundo ele, adolescentes que passam de quatro a seis horas diárias no celular podem apresentar sintomas como irritabilidade, ansiedade e angústia quando ficam sem o aparelho. Cury também destacou que uma eventual regulamentação deve equilibrar a liberdade de expressão com a proteção de crianças e adolescentes, defendendo que as plataformas sejam submetidas a uma tributação elevada, caso seja constatada sua responsabilidade por danos à saúde mental.
Apesar de defender medidas mais rígidas para o público infantojuvenil, o candidato afirmou ser contra a proibição de plataformas de redes sociais ou do uso de aplicativos como o Discord, considerando que a censura não é a solução para o problema. Em vez disso, Cury defende que a resposta adequada passa pela educação. Para ele, as escolas em tempo integral podem desempenhar papel fundamental ao ensinar crianças e adolescentes sobre o funcionamento dos algoritmos e os efeitos do consumo excessivo de conteúdo digital, promovendo uma compreensão mais ampla de como as plataformas influenciam o que os jovens veem e consomem.
Durante a entrevista, Cury também relacionou o aumento de problemas de saúde mental entre jovens à crescente utilização das redes sociais. Ele citou um aumento de 148% nos índices de suicídio na faixa de 10 a 19 anos e atribuiu parte desse quadro à chamada “síndrome comparativa”, que provoca sentimentos de inadequação e baixa autoestima. Além disso, afirmou que “a cada 10 minutos, um adolescente se automutila”, embora não tenha apresentado fontes específicas para esses dados durante a entrevista.
O candidato reforçou sua posição de que, se for judicialmente comprovada a responsabilidade das plataformas digitais pelos prejuízos à saúde mental, elas deverão pagar indenizações milionárias às famílias afetadas e ao governo federal. Essas propostas refletem uma preocupação crescente com os efeitos do uso excessivo de redes sociais na juventude, tema que tem ganhado destaque na agenda pública e no debate político, especialmente diante do aumento de casos de automutilação e suicídio na faixa etária.









