O Brasil mobilizou uma missão humanitária para a Venezuela, após os terremotos que devastaram o país no final de junho. O coordenador da operação, Armin Braun, que também é diretor do Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad), destacou, em uma coletiva de imprensa realizada na Base Aérea de Brasília, que a equipe enfrentou um dos cenários mais desafiadores em operações internacionais de busca e salvamento.
Braun explicou que a missão brasileira fez parte de uma força-tarefa internacional coordenada pela Organização das Nações Unidas (ONU), através da rede Insarag, que organiza equipes de busca e resgate em grandes desastres. Ele relatou que, durante a operação, foram resgatadas 14 pessoas com vida, além de diversos corpos que foram entregues às famílias. “O atendimento a terremotos envolve a mobilização de muitos países. A ONU possui uma rede específica para esse tipo de desastre, o que permitiu que chegássemos de forma organizada e definíssemos os locais de operação”, afirmou.
Um dos principais desafios enfrentados pela equipe foi a resistência das estruturas dos edifícios na área afetada. Braun explicou que as construções eram feitas de concreto e ferragens extremamente robustas, o que não apenas aumentou o número de vítimas fatais, mas também prolongou o tempo necessário para o resgate de sobreviventes. “Em muitos casos, para acessar uma vítima, era necessário romper várias lajes, um processo que poderia levar horas. As equipes de diferentes países trabalharam em conjunto para realizar essas operações complexas”, detalhou.
Além das dificuldades estruturais, as condições climáticas também representaram um risco adicional para os socorristas. “Enfrentamos calor intenso e o constante risco de réplicas do terremoto. Durante a operação, sentimos algumas dessas réplicas, o que gerava preocupação sobre a segurança das equipes que estavam nos escombros”, acrescentou Braun.
A missão brasileira contou com a participação de bombeiros de Minas Gerais, São Paulo e Paraná, além de especialistas da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), engenheiros estruturais e equipes com cães farejadores. Braun destacou que a operação utilizou diversas tecnologias para localizar sobreviventes, incluindo cães treinados, sensores de vida, equipamentos de rastreamento de celulares e engenheiros que avaliavam a segurança das estruturas antes da entrada dos socorristas.
Com a fase de busca por sobreviventes encerrada, a equipe passou a focar no atendimento humanitário. Braun ressaltou que a Marinha brasileira montou rapidamente um hospital de campanha para suprir a carência de atendimento médico na região, que enfrentava falta de água potável e energia elétrica, além de ter muitos hospitais danificados. “O hospital de campanha foi fundamental, assim como o envio de medicamentos, vacinas e purificadores de água”, afirmou.
O coordenador da missão enfatizou que o trabalho brasileiro ainda não chegou ao fim. Agora, as ações se concentram na recuperação dos serviços essenciais e na avaliação estrutural dos prédios para garantir um retorno seguro da população. Braun mencionou que uma nova missão poderá incluir engenheiros brasileiros para auxiliar na reconstrução das áreas afetadas. “A busca e salvamento foi apenas a primeira fase. Agora, seguimos com a assistência humanitária, o restabelecimento dos serviços essenciais e, por fim, a reconstrução. Se a Venezuela solicitar novamente apoio do Brasil, estaremos prontos para ajudar”, concluiu.
Braun também destacou a recepção calorosa que a equipe brasileira teve durante toda a operação. “O Brasil sempre leva uma ajuda fraterna. Nossa equipe foi recebida com muito carinho pela população e procurou atender cada chamado com rapidez e empatia”, finalizou. A missão mobilizou 82 especialistas e representa uma das maiores operações internacionais de ajuda humanitária já realizadas pelo Brasil em resposta a desastres naturais na América do Sul.







