O partido Cidadania, que integra a federação com o PSDB, manifestou-se oficialmente contra a decisão dos tucanos de apoiar a candidatura do PDT de Alexandre Kalil ao Governo de Minas Gerais. Apesar de respeitar a decisão da federação, o presidente estadual da legenda, João Marcelo Dieguez, emitiu uma nota na qual reforça a posição contrária do partido à aliança, destacando divergências internas e questões de alinhamento ideológico.
Segundo apuração da reportagem, integrantes do Cidadania relataram que o partido vinha enfrentando desgastes anteriores relacionados ao ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, o que teria contribuído para a decisão de se posicionar contrariamente à aproximação com o PDT. Esses integrantes também reclamaram do modo como o pedetista tem tratado o partido ao longo do processo de negociações, o que teria agravado o desgaste entre as legendas.
Na nota oficial, João Marcelo Dieguez afirmou que, durante a reunião da federação realizada na última quarta-feira, dia 29 de novembro, a direção estadual do Cidadania manifestou-se de forma contrária à deliberação de apoiar a candidatura de Kalil ao Governo de Minas. A decisão foi tomada por consenso entre a Diretoria Estadual e os prefeitos do partido em Minas Gerais, que entenderam que não poderiam apoiar uma candidatura cujas propostas e visão de gestão divergem dos princípios defendidos pela legenda. Segundo o dirigente, o partido entende que a postura do ex-prefeito e do PDT não condiz com a forma como o Cidadania compreende a administração pública e seus valores.
O contexto político envolvendo as alianças no Estado é marcado por tentativas do PDT de ampliar sua base de apoio. Além de Minas Gerais, o partido tentou estabelecer alianças com outras legendas, incluindo o MDB, o PSB e o Rede, mas essas negociações também não avançaram. No caso do PT, embora tenham ocorrido conversas, o desgaste gerado pela campanha de 2022 e a postura de alguns quadros do partido dificultaram qualquer possibilidade de aliança com Kalil, que foi prefeito de Belo Horizonte por dois mandatos consecutivos.
A decisão do Cidadania reforça o cenário de polarização e de disputas internas no espectro político mineiro, evidenciando as diferenças de alinhamento entre partidos que, mesmo integrando federações, mantêm posições distintas em relação às alianças e estratégias eleitorais. A postura do partido estadual demonstra a complexidade das negociações e a importância de fatores ideológicos e históricos na definição de apoios políticos em um momento de intensa movimentação no cenário eleitoral de Minas Gerais.






